[weglot_switcher]

BCP liderou ganhos no PSI em sessão animada na Europa mas otimismo murchou com ameaças de Trump ao Irão

As declarações isoladas de Trump dificilmente resolverão os graves estrangulamentos físicos que afetam o mercado global de energia, disseram analistas e especialistas do setor ao Yahoo Finance — especialmente porque o crucial Estreito de Ormuz, responsável por 20% do fluxo global de petróleo transportado por via marítima, continua fechado ao tráfego normal.
Brendan McDermid / Reuters
11 Março 2026, 07h00

As bolsas europeias viveram uma sessão de ganhos expressivos, animadas pela descida de dois dígitos nos preços do petróleo, que passou a negociar abaixo dos 90 dólares por barril, depois de Donald Trump ter referido que o Governo dos EUA e Israel estavam a fazer progressos significativos para terminar a guerra no Irão “muito em breve”.

A cotação do barril de petróleo Brent para entrega em maio terminou no mercado de futuros de Londres em forte queda de 11,28%, para os 87,80 dólares.

Adicionalmente, a revelação de que as exportações na China têm registado forte crescimento nos primeiros dois meses do ano, em especial em fevereiro, trouxe bons sinais para a economia do gigante asiático, com o bom desempenho das importações a transmitir boa energia às exportadoras ocidentais.

Os ganhos foram transversais a todos os setores do Stoxx 600. O PSI aproveitou para subir 1,7%, com o BCP na crista da onda, ao valorizar 3,5%.

Mas essa animação morreu em Wall Street. Depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou Teerão para as consequências sem precedentes caso o país decidisse instalar minas no estreito de Ormuz no âmbito da resposta à ofensiva israelo-americana lançada em 28 de fevereiro

Mais tarde garantiu que dez navios iranianos de colocação de minas foram destruídos no estreito de Ormuz, pouco depois de terem alertado Teerão para as consequências caso instalasse este tipo de engenhos.

Mas as declarações isoladas de Trump dificilmente resolverão os graves estrangulamentos físicos que afetam o mercado global de energia, disseram analistas e especialistas do setor ao Yahoo Finance — especialmente porque o crucial Estreito de Ormuz, responsável por 20% do fluxo global de petróleo transportado por via marítima, continua fechado ao tráfego normal.

As ações norte-americanas fecharam praticamente entre ganhos e perdas ​​nesta terça-feira, encerrando uma sessão volátil, enquanto os investidores avaliavam as declarações de Trump.

Apesar da promessa de Trump, a guerra continua e Israel divulgou hoje à noite que começaram uma “onda de ataques” contra Teerão, pouco depois de se terem ouvido novas explosões na capital iraniana. Num curto comunicado citado pela agência France-Presse (AFP), as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) referiram que iniciaram uma onda de ataques em Teerão, contra o que chamam de “alvos do regime terrorista iraniano”.

Paulo Donovan, economista-chefe do UBS Global Wealth Management, diz isso mesmo. “O Presidente dos EUA, Trump, declarou que a guerra com o Irão estava ‘muito completa, praticamente’. A falta de clareza quanto aos objetivos da guerra e a tendência de Trump para reverter posições políticas mais dramáticas significava que os mercados já antecipavam sinais de que os EUA procurariam terminar o conflito em breve – mas os investidores mantiveram convicção limitada. A declaração provocou uma reação no mercado, embora a falta de confirmação por outros responsáveis da administração e a resposta do Irão tenham limitado essa reação”.

Dados macroeconómicos revelados esta quarta-feira nos EUA

No âmbito macroeconómico, os principais indicadores da semana serão divulgados a partir desta quarta-feira. O Índice de Preços no Consumidor (IPC) de fevereiro será publicado hoje, enquanto o Índice de Preços no Consumo Pessoal (PCE) de janeiro será divulgado na sexta-feira. Ambas as medidas serão cruciais numa altura em que pairam dúvidas sobre a economia norte-americana após o desapontante último relatório de emprego.

O PCE, indicador preferencial da Reserva Federal (Fed), será particularmente importante. O consenso prevê que a inflação medida pelo PCE ronde os 2,8% para a taxa geral e os 2,7% para a taxa de janeiro. No entanto, Javier Molina, analista sénior de mercados da eToro, sublinha que a subida dos preços do petróleo “introduz uma clara assimetria nos riscos, porque se a energia continuar a ficar mais cara”, isso “poderá dificultar o processo de desinflação e atrasar o início dos cortes nas taxas de juro”.

Na Europa, o impacto da guerra já ameaça uma inflação e bem assim uma subida dos juros.  A presidente do Banco Central Europeu (BCE) afirmou esta terça-feira que a instituição monetária fará tudo o que for “necessário” para que “a inflação esteja sob controlo” face à subida dos preços da energia, devido à guerra no Médio Oriente.

“Faremos tudo o que for necessário para que a inflação esteja sob controlo e para que os franceses, os europeus, não sofram aumentos da inflação do tipo daqueles que vimos nos anos de 2022 e 2023”, desencadeados pela guerra na Ucrânia, afirmou Christine Lagarde numa entrevista na France 2 e France Inter, ao mesmo tempo que sublinhou que a situação era “muito diferente”.

O UBS por sua vez destaca que os dados comerciais da China de fevereiro mostraram exportações mais fortes do que o esperado. Estes números são, naturalmente, pré-guerra, mas destacam que a economia global continua a operar normalmente, apesar da ação unilateral dos EUA. Estas exportações também ocorreram, em grande parte, antes de as tarifas IEEPA dos EUA terem sido declaradas ilegais (o que reduziu as tarifas que as empresas norte-americanas pagam ao comprar da China).

Os dados comerciais da Alemanha foram mais fracos do que o “esperado” e, de forma invulgar, os dados anteriores não foram revistos em alta — embora o consenso seja baseado em apenas nove estimativas, com grande dispersão. As exportações para os EUA foram, no entanto relativamente fortes.
O economista-chefe do UBS, defende que os dados dos EUA são, hoje, essencialmente ruído de fundo. O inquérito NFIB sobre o sentimento das pequenas empresas está sempre sujeito a forte partidarismo político, além das limitações de qualquer evidência baseada em inquéritos. Os dados de vendas de habitação não são, em geral, considerados de primeira linha para os mercados.

 


Copyright © Jornal Económico. Todos os direitos reservados.