BdP ainda não abriu nenhum procedimento de reavaliação da idoneidade a gestores da CGD

O supervisor bancário ainda não concluiu sobre se há ou não necessidade de reavaliar a idoneidade a algum dos ex-administradores da CGD.

Caixa Geral de Depósitos

O Banco de Portugal (BdP) ainda não está a avaliar a idoneidade de nenhum dos sete ex-gestores da Caixa Geral de Depósitos (CGD) que estão atualmente em funções no setor financeiro, sabe o Jornal Económico. O que o supervisor está neste momento a fazer é a ponderar, perante as conclusões da auditoria à CGD feita pela EY à gestão do banco entre 2000 e 2015, se há ou não matéria para reabrir processos de reavaliação de idoneidade para algum (ou para todos) os ex-administradores da Caixa que estão atualmente em funções em empresas sob alçada do regulador bancário.

O jornal Expresso na edição impressa deste sábado, noticiava que os gestores que desempenharam funções na CGD entre 2000 e 2015 estão a ser avaliados pelo BdP. O que inclui António de Sousa (administrador da ECS, Sociedade Gestora de Fundos de Capital de Risco), Vítor Fernandes e Jorge Cardoso (Novo Banco), João Nuno Palma (BCP), António Vila-Cova (Finantia), Maria João Carioca (CGD) e José Fernando Maia de Araújo (EuroBic).

De facto há uma análise em curso mas não há ainda nenhum processo de reavaliação de idoneidade.

Segundo as nossas fontes, desta análise feita pela entidade liderada por Carlos Costa sairão conclusões sobre se haverá necessidade de abrir processos de reavaliação da idoneidade. Haverá casos em que sim e outros em que não, segundo fontes conhecedoras do processo. Os resultados desta avaliação serão concluídos em breve, ainda segundo as mesmas fontes.

Esta análise prévia que o Banco de Portugal está a fazer baseia-se nas conclusões da auditoria da EY que detetou perdas de 1.647 milhões de euros em 186 operações de crédito concedidas e reestruturadas durante aquele período.

Tal como o Jornal Económico tinha noticiado na edição de 8 de fevereiro, o regulador bancário vai concentrar-se nos processos de avaliação de idoneidade de ex-gestores da Caixa que continuam ligados à banca e de outros que se queiram candidatar a novos cargos, após receber a auditoria da EY, em junho de 2018.

Ler mais
Relacionadas

Carlos Costa pede escusa nas decisões do Banco de Portugal sobre auditoria à CGD

O governador do Banco de Portugal nega qualquer responsabilidades nos créditos ruinosos que foram concedidos pela CGD quando exerceu funções na administração do banco público. Carlos Costa pediu ainda para não participar nas decisões do regulador sobre a auditoria da EY aos atos de gestão na Caixa.

Relatório da EY: Perdas acumuladas de 1.647 milhões em 186 operações de crédito

A EY diz ainda que, nas 186 operações verificou “uma maior concentração no período 2000-2007 e 2008-2011”, onde simultaneamente se verificam “também maiores percentagens de perdas”.

EY: CGD perdeu 453,9 milhões com o investimento em títulos

A CGD não avaliou os elevados riscos do investimento nos títulos “Boats Caravela”, diz a EY. O montante investido foi de 447,1 milhões. Foi realizado em 1999 com o objetivo de melhoria dos resultados da CGD, e gerou uma perda de 340 milhões de euros.
Recomendadas

EuPago regista perdas de operações de mais de 100 mil euros com suspensão temporária do MB Way

Segundo a empresa que executa pagamentos eletrónicos em Portugal, os comerciantes deixaram de receber um volume de pagamentos superior a 100 mil euros, por causa da suspensão temporária do meio de pagamento MBWay.

Comissão Europeia previu que no melhor cenário as perdas do Novo Banco com ativos do BES seriam entre 3 e 4 mil milhões

A Comissão Europeia, no documento publicado no início de 2018, revela, no ponto 224, a sua estimativa do custo da reestruturação do Novo Banco, e portanto do uso do Mecanismo de Capitalização Contingente (CCA), que “no melhor cenário” seria entre 3 e 4 mil milhões de euros. Sobre o EuroBic diz que o Novo Banco ainda está impedido de fazer aquisições, mas no futuro deve procurar operações que criem valor.

Presidente da sociedade que tem 75% do Novo Banco estava no Deutsche Bank quando assessorou o Banco de Portugal na venda

O presidente da Nani Holding que é dona de 75% do Novo Banco, frisou que entrou só em 2019, dois anos e meio depois de ter sido assinado a venda do banco liderado por António Ramalho, em 2017.
Comentários