BE diz que auditoria da Deloitte ao Novo Banco não garante “seriedade e independência” e deve ser considerada “nula”

A deputada do BE Mariana Mortágua defende que a auditoria deve ser considerada “nula”, porque “valida as operações do Novo Banco” e não garante o devido escrutínio à gestão do Novo Banco. O BE insta ainda o Presidente da República e o Governo a tirem as suas conclusões para analisar as próximas injeções de capital no Novo Banco.

Cristina Bernardo

O Bloco de Esquerda (BE) considera que a auditoria feita pela Deloitte ao Novo Banco não garante seriedade independência, tendo em conta que a Deloitte assessorou a venda da GNB Vida, um dos negócios ruinosos do banco. A deputada do BE Mariana Mortágua defende que a auditoria deve ser considerada “nula”, porque “valida as operações do Novo Banco” e não garante o devido escrutínio à gestão do Novo Banco.

“A auditoria [da Deloitte ao Novo Banco] não garante seriedade, rigor, independência, nem a defesa do interesse público (…) A auditoria não refere, além de não referir as perdas associadas à venda da GNB Vida, as associações do comprador a um corrupto condenado, a Deloitte também não refere que foi assessora do Novo Banco para a venda da GNB Vida”, afirmou Mariana Mortágua, em conferência de imprensa.

Em causa está uma notícia avançada esta sexta-feira pelo Jornal Económico que dá conta de que a Deloitte Espanha assessorou financeiramente o Novo Banco na venda da GNB Vida ao Apax, um fundo britânico. A operação foi desencadeada em 2017 e concluída em outubro de 2019 e que gerou perdas de 250 milhões para o banco liderado por António Ramalho.

Apesar de serem instituições juridicamente independentes, as duas empresas pertencem à rede global da Deloitte, o que poderá ter levado a auditora a ter de analisar potenciais constrangimentos na avaliação aos atos de gestão do Novo Banco. Contactada pelo Jornal Económico, a Deloitte não quis fazer comentários.

Mariana Mortágua sublinhou que o facto de Deloitte não referir, na auditoria ao Novo Banco, que assessorou financeiramente o Novo Banco na venda da GNB Vida “coloca em causa a auditoria”. “Como pode um consultor de uma venda auditar de forma independente essa venda? A resposta é ‘não pode’. Que credibilidade tem essa auditoria? Não tem”, explicou a parlamentar bloquista.

“Cada ato de gestão do Novo Banco custa milhões a todos os contribuintes. Já custou milhões a todos os contribuintes e pode continuar a custar. Cada ato de gestão do Novo Banco deve, por isso, ser analisado ao pormenor, com rigor, seriedade, independência e sentido de defesa intransigente do interesse público”, insistiu.

O BE insta ainda o Presidente da República e o Governo a tirem também as suas conclusões. “Da mesma forma que foi entendido pelo Presidente da República e pelo Governo que esta auditoria era importante para analisar as próximas injeções [de capital] no Novo Banco é preciso agora considerar nula a auditoria e nulos os seus resultados, uma vez que ela valida as operações do Novo Banco e não garante a independência necessária”, reitera.

Mariana Mortágua defendeu ainda que “todos os atos de gestão do Novo Banco que interferem com prejuízos que entretanto surgiram nas contas e que foram pagos pelos contribuintes portugueses devem ser analisados de forma rigorosa, independente e rigorosa, o que a Deloitte não garante nesta auditoria”.

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