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BE diz que PSD está “numa contradição gigantesca” sobre acordo com o Chega nos Açores

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, acusa o PSD de fazer o que “disse que não faria” e se ter juntado a um partido “xenófobo, racista e que apela ao ódio” para formar Governo nos Açores.
10 Novembro 2020, 15h33

O Bloco de Esquerda (BE) considera que o Partido Social Democrata (PSD) está numa “contradição gigantesca” devido ao acordo conseguido com o Chega para viabilizar o novo Governo Regional dos Açores. A coordenadora bloquista, Catarina Martins, acusa o PSD de fazer o que “disse que não faria” e se ter juntado a um partido “xenófobo, racista e que apela ao ódio” para formar Governo.

“O PSD está envolto numa contradição gigantesca, já disse uma coisa e o seu contrário várias vezes. Disse que não faria um acordo com um partido xenófobo, racista e que apela ao ódio e fez esse acordo. Bem pode dizer que o acordo é um acordo nacional para um Governo Regional. Mas está a fazer o que disse que não faria”, afirmou a coordenadora do BE, à margem de um encontro com a CGTP-IN.

Catarina Martins classificou como “preocupante” que “a direita que se diz democrática abra a porta às forças que não são democráticas” e alerta que essa abertura terá “custos graves” para a democracia, tal como “tem tido em todo o mundo”. Para ilustrar a teoria, a líder do BE deu o exemplo do presidente cessante dos Estados Unidos, Donald Trump, que se recusa a aceitar o resultado das eleições presidenciais.

“Nos Estados Unidos, temos um presidente que perdeu as eleições e que diz que não se quer ir embora e não quer sequer que os votos sejam contados. Acho que o que acontece no resto do mundo valia a pena ser observado pelo doutor Rui Rio [líder do PSD]”, salientou.

Sobre o acordo entre o PSD e o Chega nos Açores, Rui Rio veio dizer que “o acordo com o Chega foi a nível regional, nos Açores, e teve por base quatro compromissos e nenhum é fascista”. A nível nacional, Rui Rio diz que “há hipótese de diálogo” se “o Chega se moderar”. “Se o Chega não se moderar não há hipótese de diálogo. Nos Açores moderou-se”, afirmou o líder social-democrata.

O presidente do PSD acusou ainda o primeiro-ministro, António Costa, de mentir sobre a existência de um acordo nacional entre os social-democratas e o Chega a nível nacional. “António Costa e o Bloco de Esquerda estão de cabeça perdida. António Costa está a mentir quando diz que há um acordo nacional. O acordo a que se chegou foi nos Açores”, explicou.

O Partido Socialista (PS) e o Partido Comunista Português criticaram também o acordo firmado entre o PSD e o Chega. Os socialistas consideram que o acordo veio mostrar que o PSD é capaz de “vender a alma ao diabo”, “hipotecando-se a propostas de reposição da barbárie” do Chega, e defendem que o PSD merece “uma severa censura política” por se juntar à “extrema direita xenófoba”. Já o PCP diz que o novo Governo Regional está unido “pelo reacionarismo e oportunismo” e teme “o futuro da vida política regional”.

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