“Bebé” da EDP e Engie ainda não tem nome, mas longa gravidez acelerou pós-OPA

O fantasma na sala, a China Three Gorges, só apareceu perto do fim, na parte das perguntas e respostas.

No histórico Café Royal, em pleno coração de Londres, a palavra mais utilizada pelos líderes da EDP e da francesa Engie para descrever a nova parceria entre as duas energéticas nas eólicas offshore foi “natural”. Tanto António Mexia como Isabelle Kocher repetiram por diversas vezes que a joint venture que vai ser finalizada até ao final do ano é um passo natural, lógico e até óbvio para duas empresas que já trabalham juntas nessa frente inovadora das renováveis há algum tempo.

O mercado tem enorme potencial e, ao contrário do que acontece com as onshore, é um “clube” com poucos players e que vai estar sujeito a ventos de consolidação, portanto a solução é juntar forças, pois juntas as empresas conseguem fazer mais do que separadas, disseram os dois CEO. O ponto de partida conjunto é forte, os mercados com forte potencial já foram identificados e as competências e visões partilhadas fazem prever um futuro frutífero para as ambições de criar um líder global.

Essa foi a parte central da apresentação, mas a questão mais interessante – como é que este surpreendente anúncio aparece de repente e menos de um mês após a queda da Oferta Pública de Aquisição da China Three Gorges sobre a EDP – foi sinalizada no início e no fim do evento que durou cerca de três quartos de hora.

Logo no início, Kocher referiu que as duas empresas estiveram a trabalhar para acertar a parceria durante meses, com Mexia a acrescentar “e nas últimas 24 horas”. No entanto, o CEO da EDP salientou várias vezes que a joint venture nasce na sequência dos cinco anos que as empresas levam a trabalhar em conjunto. As pessoas conhecem-se, e não é de ontem, disse.

O fantasma na sala, a China Three Gorges, só apareceu perto fim, na parte das perguntas e respostas. Primeiro, Mexia explicou que os órgãos sociais da EDP, conselho de supervisão e comissão executiva, aprovaram a parceria, mas logo a seguir explicou que a holding vai funcionar estritamente em formato 50/50. Se outras empresas, incluindo a CTG, quiserem participar, poderão fazê-lo a nível de projetos, e não de holding. A exceção será no mercado chinês.

Questionado sobre quando é que as negociações terão começado, o CEO explicou que apesar da ideia se ter formado ao longo dos últimos cinco anos, os detalhes foram tratados recentemente. Mexia referiu que a parceria não era incompatível com a OPA, pois tem interesse para todas as partes, mas reiterou que a empresa cumpriu sempre o dever de lealdade aos acionistas durante o processo.

O “bebé” anunciado hoje só vai nascer no final do ano e ainda não tem nome, pois é melhor deixar essa surpresa para o fim, vincou Mexia. No entanto, já tem um ‘padrinho’, a CTG. No evento em Piccadilly, no entanto, não ficou claro se esse padrinho vai ser ativo no crescimento do recém-nascido ou se vai apenas monitorizar de longe.

Recomendadas

As tensões EUA-Irão e a necessidade de centrar o debate

Os belicistas tentarão limitar a margem de manobra de Trump empurrando-o para a solução militar. Os pretextos para começar uma guerra podem surgir a qualquer momento. Já foram ensaiados alguns, embora sem sucesso.

Censos e Preconceitos

O INE decidiu não incluir nos Censos de 2021 uma pergunta sobre a origem étnico-racial da população. Recorde-se Voltaire: o preconceito é a opinião sem conhecimento.

Estreito de Ormuz: barril de petróleo ou barril de pólvora?

O Irão pode usar a pressão em torno do estreito de Ormuz quer para chegar à mesa com os EUA e negociar um novo acordo, quer para conter a crise política que o país enfrenta.
Comentários