Beirute, meu amor

Em casos como o acidente na zona portuária em Beirute, a cooperação europeia e internacional salva vidas e reforça igualmente o apelo à paz global e nesta região tão sensível em particular.

Às 8h15 do dia 6 de agosto de 1945, “Little Boy” – a bomba atómica utilizada, foi lançada do bombardeiro B-29, Enola Gay, sobre Hiroshima. Cerca de 50 mil pessoas morreram no momento da explosão e a cidade ficou destruida. Decorria a Segunda Guerra Mundial e os Estados Unidos lançaram a primeira bomba nuclear que continha  uma carga de urânio 235 e pesava 4 toneladas. Três dias depois, “Fat Man” foi lançada em Nagasaki, outra cidade japonesa. Finalmente, no dia 2 de setembro de 1945, o Japão rendeu-se.

Na década de 70 do século passado, Vinícius de Moraes escreveu o poema “Rosa de Hiroshima”, numa referência ao lançamento da bomba nuclear. O nome do poema, feito canção em tom de protesto, resulta do aspecto de rosa provocado pela explosão: “Pensem nas crianças… Sem cor, sem perfume / Sem rosa, sem nada”.

Foi esta imagem que me veio à memória quando vi a violência das explosões do acidente na zona portuária em Beirute. E que provocaram, segundo as autoridades libanesas, mais de 6.000 feridos e para cima de uma centena e meia de mortos, para além da cidade em parte arrasada. Prontamente, instituições e países se mostraram solidários.

O Presidente francês visitou Beirute e garantiu apoio. A União Europeia promete 33 milhões de euros de ajuda de emergência. E também Portugal, através do Mecanismo Europeu de Proteção Civil, enviará profissionais para participar na ajuda humanitária. São exemplos, de entre muitos outros, que justificam a esperança que ainda devemos ter na boa-vontade dos homens. Em casos destes a cooperação europeia e internacional salva vidas e reforça igualmente o apelo à paz global e nesta região tão sensível em particular.

Recordo que o Tribunal Especial para o Líbano deveria anunciar a sentença do julgamento dos quatro suspeitos, do movimento xiita Hezbollah, envolvidos no assassínio, em 2005, do antigo primeiro-ministro libanês, Rafic Hariri – um muçulmano sunita e figura marcante do Líbano após o fim da guerra civil, em 1990. Apesar dessa leitura ter sido adiada, há quem tema que a condenação provoque a escalada para um novo conflito armado nesta terra mártir.

Fundada por fenícios, Beirute foi sendo sucessiva e ininterruptamente ocupada, até se tornar capital do Líbano depois da Segunda Guerra Mundial. Ali, para quem a conhece, junto à Praça dos Mártires, a Mesquita Azul e a Catedral Maronita de São Jorge são o exemplo de coexistência entre muçulmanos e cristãos. Que assim continue Beirute, no passado a “Paris do Médio Oriente”, vencido este tempo de desespero e de angústia – depois de reconstruída e em paz, consigo e com os outros.

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