Benfica levanta 50 milhões de euros no empréstimo obrigacionista. Procura atingiu os 70 milhões

A Sport Lisboa e Benfica, SAD, levantou 50 milhões de euros na oferta pública de subscrição das “Obrigações Benfica SAD 2020-2023”. A procura superou a oferta em 1,4 vezes.

Cristina Bernardo

A Sport Lisboa e Benfica, SAD, levantou 50 milhões de euros na oferta pública de subscrição das “Obrigações Benfica SAD 2020-2023”, cujo prazo de subscrição terminou no passado dia 10 de julho.

O empréstimo obrigacionista da SAD benfiquista, liderada por Domingos Soares de Oliveira, registou bastante interesse junto dos investidores. Logo no primeiro dia da operação, 29 de junho, a procura bruta atingiu os 36 milhões de euros, superando em um milhão de euros o montante inicial do empréstimo, que era de 35 milhões de euros, mas foi depois elevado, no dia 8 de julho, para 50 milhões de euros.

A operação terminou com uma procura bruta de 70 milhões de euros, isto é, 1,4 vezes o montante em oferta depois do aumento.

Foram 3.688  os investidores que subscreveram “Obrigações Benfica SAD 2020-2023”. “Na maioria dos casos, são pessoas que têm investido com regularidade”, revelou Domingos Soares de Oliveira, que participou na sessão de apuramento dos resultados que decorreu esta segunda-feira.

Domingos Soares de Oliveira explicou que a SAD ‘encarnada’ aumentou em 15 milhões o empréstimo obrigacionista porque, na definição do montante inicial da operação fixado em 35 milhões de euros, foi seguida uma política prudente, e depois constatou que poderia criar uma folga adicional na tesouraria para a época 2020/2021.

“Fomos prudentes no valor definido inicialmente porque não sabíamos como é que o mercado ia reagir. O facto de podermos ter um reforço adicional das disponibilidades de tesouraria foi aproveitado no bom sentido, a procura foi de 70 milhões. Com uma política conservadora de aumento e não prejudicando demasiado o montante solicitado, decidimos fazer este aumento de 15 milhões. Dá-nos uma folga adicional relativamente à próxima época desportiva”, disse administrador da SL Benfica, SAD.

Além disso, o gestor admitiu ainda que estava a SAD do Benfiquista estava no momento “certo” para lançar este empréstimo obrigacionista.

“A situação económica que vivemos hoje não o momento ideal, mas foi aquele momento em que sentimos que, pela reação do mercado e sobretudo pela confiança que as entidades financeiras que fizeram parte do sindicato bancário demonstraram, sentimos que era o timing certo para avançar. Certo não apenas porque já entrámos numa situação de desconfinamento progressivo, [mas também] porque o mês de junho ainda não é um mês forte de férias — e em que não gostamos de fazer estas obrigações — e certo também porque nesta fase em que ainda existe um conjunto de incertezas razoavelmente elevado relativamente à próxima época desportiva, este era o momento de criarmos uma robustez adicional do ponto de vista da nossa situação de tesouraria”, revelou Domingos Soares de Oliveira.

O valor mínimo de subscrição foi de 1.500 euros, sendo que a grande maioria dos investidores (63,10%) subscreveu entre 1.500 até 5.000 euros, enquanto mais de um quinto subscreveu entre 10.005 euros e 50.000 euros. Houve ainda 128 investidores que investiram mais de 50.000 euros e cerca de 11% investiu entre 5.005 euros e 10.000 euros.

Com maturidade até 2023, os investidores serão renumerados a uma taxa de juro anual, fixa e bruta, é de 4%.

A operação teve diversos assessores. Juridicamente, contou com o apoio da Vieira de Almeida. O organizador e coordenador global foi o Haitong Bank, sendo que a colocação do empréstimo obrigacionista coube a um conjunto de instituições financeiras como o ActivoBank, o Banco Best, o Banco Carregosa, o Banco Invest, o Banco Montepio, a Caixa BI, o Crédito Agrícola, a Caixa Geral de Depósitos e ainda o Millennium bcp.

A auditoria coube à PwC e o apuramento dos resultados da operação, a admissão e a custódia ficou encarregue à Euronext.

Filipa Franco, head of listing da Euronext frisou que a emissão deste empréstimo obrigacionista “demonstra o interesse dos investidores nacionais por alternativas de investimento e diversificação das aplicações financeiras”.

Covid-19 pode tirar até 25 milhões de euros aos cofres da ‘Luz’

A Covid-19 pressionou os resultados da SAD ‘encarnada’, não apenas em termos de receita de bilhética, mas também em termos de merchandising.

Domingos Soares de Oliveira explicou que cada jogo de futebol realizado à ‘porta fechada’ no Estádio da Luz significa uma quebra de receitas de bilhética de um milhão de euros “grosso modo”.

“Portanto, o número de jogos que não conseguimos fazer com público foi de cinco jogos em casa e temos um impacto direto de cerca de cinco milhões de euros”, disse o administrador da SAD benfiquista.

Além disso, considerando “as outras vertentes,, nomeadamente em termos de merchandising ,que teve uma quebra muito relevante, apontamos que o impacto final no exercício de 2019/2020 vai ser entre 20 e 25 milhões de euros”, adiantou Domingos Soares de Oliveira.

 

(atualizada às 17h23)

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