Os bielorussos a viver em Portugal estão sob ameaça de extradição porque não conseguem validar os seus passaportes junto das autoridades do seu país. Esta é uma condição necessária para conseguirem renovar as suas autorizações de residência em Portugal.
Mas por muitos serem oposicionistas ao regime bielorusso de Alexander Lukashenko, as autoridades do seu país não emitem novos documentos, o que lhes impede de conseguirem renovar os seus documentos em Portugal.
“Começaram por receber a residência portuguesa, mas agora sem um passaporte válido não podem prolongar a sua residência”, disse a empresária Tania Marinich, fundadora da Imaguru Ventures, uma das startups presentes na Web Summit, adiantando que vários destes bielorussos “estão sediados aqui, com as suas empresas, a contribuir para a economia local”.
Também presente em Portugal está Sviatlana Tsikhanouskaia (na foto), candidata pelo oposição às presidenciais bielorussas em 2020. A ativista pelos direitos humanos revela que foi enviada uma carta para o Governo português a “pedir uma mudança na abordagem” na emissão de autorizações de residência.
“Os bielorussos fugiram da repressão do regime no seu país; foram para a Ucrânia, de onde fugiram por causa da guerra; agora, correm o risco de serem deportados de Portugal. São duplo-refugiados. We’re stateless and lawless”, disse Sviatlana Tsikhanouskaia em conferência de imprensa na Web Summit na terça-feira.
Os ativistas pelos direitos humanos apontam que esta é uma “repressão transnacional” por parte do regime de Lukashenko, ao rejeitar emitir documentos oficiais aos oposicionistas exilados, para complicar-lhes a vida nos seus países de acolhimento.
A repressão não fica pelos passaportes: qualquer pedido de documento oficial é travado, incluindo certificados de habilitações oficiais ou diplomas, como forma de travar que obtenham emprego, por exemplo.
A falta de autorização de residência coloca vários entraves para a vida destes cidadãos e das suas famílias nos seus novos países, destacam.
“Fui condenada em absentia a 12 anos de prisão. Fui obrigada a ir para o exílio. Os exilados bielorussos construíram a vida na União Europeia, estamos gratos por estarmos aqui, é a nossa segunda casa, vivemos em segurança”, conta Tania Marinich.
Na conferência de imprensa, Sviatlana Tsikhanouskaia também pediu às grandes tecnológicas para ajudarem os ciber-partisans bielorussos na sua luta, através do bloqueio de vídeos propagandistas do regime de Lukashenko.
“O regime detêm as pessoas e depois gravam vídeos confessionais e depois publicam-nos. Pedimos a várias empresas para bloquear estes vídeos”, segundo a ativista que pede mais ação contra a máquina dos regimes bielorusso e russo.
Considerada a líder da oposição no seu país, Sviatlana Tsikhanouskaia sucedeu ao seu marido na corrida às presidenciais em 2020, depois de este ter sido preso pelas autoridades. Autorizada a concorrer, os resultados oficiais deram a vitória a Alexander Lukashenko (no cargo desde 1994), mas as eleições foram rejeitadas por observadores internacionais por fraude eleitoral. Sviatlana Tsikhanouskaya acabou por fugir do país para a Lituânia, tendo sido condenada em absentia em 2023 e condenada a 15 anos de prisão.
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