As grandes tecnológicas norte-americanas preparam-se para investir 650 mil milhões de dólares este ano em Inteligência Artificial (IA).
Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft preparam-se para investir em grande, sem paralelo neste século. Os números de cada uma em Capex pulverizam qualquer investimento feito por uma única empresa nos últimos 10 anos, destaca a “Bloomberg”.
A Amazon lidera os gastos em Capex (200 mil milhões de dólares), seguida da Alphabet (185 mil milhões), da Meta (135 mil milhões) e da Microsoft (105 mil milhões).
A “Bloomberg” aponta que 21 grandes empresas norte-americanas de outras áreas deverão gastar este ano… 180 mil milhões de dólares.
Algumas empreitadas empresariais que se assemelham são o desenvolvimento da ferrovia nos EUA no final do século XIX, programas de apoio durante o ‘New Deal’ de Franklin Roosevelt nos anos 30, ou a bolha de telecomunicações nos anos 90.
Os valores representam um aumento de 60% face há um ano, com o acelerar da construção de centros de dados que vão alimentar a vaga de IA, à conta de muita eletricidade e água, com riscos ambientais.
Outra preocupação é o acumular de poder pelas ‘big tech’ que estão a tornar-se cada vez maiores.
“Nenhum está disposto a perder” a corrida da IA, disse o analista Gil Luria da DA Davidson.
A pesar nas contas estão os centros de dados, e depois os muito dispendiosos chips que servem para alimentar os processos produtivos. A isto, há que acrescentar a construção de modelos de linguagem/software para aplicar a IA no mundo real empresarial.
“Existem uns quantos obstáculos e vão continuar a haver”, aponta Gil Luria, incluindo a corrida à construção de centros de dados que competem por eletricistas, cimento e os valiosos chips da Nvidia ou da Taiwan Semiconductor Manufacturing.
O financiamento desta vaga de IA é outra questão: a Meta e a Google geram lucros da publicidade digital; a Amazon é a maior retalhista online; a Microsoft vende software. Apesar de terem almofadas financeiras e dominarem os seus setores, a paciência dos acionistas vai ser testada.
“Eram máquinas de gerar dinheiro. E agora, precisam deste dinheiro, e precisam de mais ainda, e estão a pedir emprestado”, destaca o investidor da Theory Ventures Tomasz Tunguz que publicou um livro a comparar a vaga de IA com outras febres de investimento no passado. Apesar de algumas não terem terminado bem, são “grandes impulsionadores da economia”.
“Não debato o potencial a IA. Mas debato o timing e as questões financeiras”, afirmou, por seu turno, Steve Lucas da Boomi.
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