Black Friday deste ano vai revelar fraquezas do setor a retalho, estima comércio digital

Ao JE, o Kuanto Kusta e a Insania consideram que a pandemia digitalizou o comércio e que as lojas físicas poderão sair mais penalizadas que nunca caso não adotem estratégias mais virtuais.

Andy Rain/EPA/Lusa

A última sexta-feira do mês de novembro, mais conhecida por Black Friday, promete uma série de descontos em produtos que variam desde tecnologia, a eletrodomésticos e até vestuário.

Este ano, devido à pandemia, muitas lojas — físicas e online — já começaram a antecipar a venda dos seus produtos  e antecipa-se que se atinjam valores elevados quanto ao número de vendas. Segundo as estimativas dos CTT, o comércio eletrónico cresceu 20% em Portugal, para 5,9 mil milhões de euros, em 2019, e antecipa-se que no próximo ano esse valor venha a aumentar.

Ao Jornal Económico (JE), o Kuanto Kusta, um dos canais mais influentes a nível de e-commerce e o maior comparador de preços a nível nacional, considera que a pandemia digitalizou o comércio e que as lojas físicas poderão sair mais penalizadas que nunca caso não adotem estratégias mais virtuais

“Esta Black Friday tornará mais evidentes as fraquezas do retalho e obrigará as empresas a tornarem-se mais ágeis face a uma época de alguma incerteza, para sobreviverem ter uma estratégia digital e omnicanal é fundamental”, explica o CEO, Paulo Pimenta.

Olhando para a edição anterior, as lojas que integram a plataforma online geraram mais de 65 milhões em receita e ultrapassaram os 2,2 milhões de visitas através do website. Para este ano, o responsável antecipa uma forte adesão à iniciativa, já o dono da Insania, uma plataforma de venda de gagdets online admite que “as vendas vão disparar”.

Comparativamente ao mesmo período do ano passado, o CEO José Veiga diz que o número de transações cresceu 65%, a receita 60% e o valor médio por compra 26%.

“Este ano está a ser um ótimo ano para o e-commerce, apesar de não ser pelas melhores razões. Se a tendência se mantiver, nesta Black Friday as vendas vão disparar”, referiu ao JE. “Refiro-me ao rápido acesso a toda a oferta e à facilidade em selecionar informação e de comparar preços. Em tempos de incerteza, este é um aspeto importante para quem procura comprar em segurança e a preços mais baixos”.

Produtos de beleza e higiene pessoal vão ultrapassar procura por portáteis e computadores

Os produtos de eleição, à semelhança de 2019, continuarão a ser os de tecnologia nomeadamente consolas — como a Playstation 5 e 4, a Nintendo Switch e a Xbox —, televisores, smartphones e eletrodomésticos. Segundo o porta-voz do Kuanto Kusta, fica de fora a procura por portáteis, computadores de secretária e periféricos uma vez que, durante os meses de abril, maio e novamente em setembro, com a imposição do teletrabalho e da telescola, registou-se uma enorme procura.

No fundo, os consumidores irão, acima de tudo, antecipar as compras de Natal “o que levará a categoria de brinquedos e perfumes a superar os recordes de crescimento do ano passado”, informa Paulo Pimenta.

Já o porta-voz da Insania acrescenta que à lista de produtos de eleição estarão também produtos para casa e cozinha, bens de higiene pessoal, eletrónica, desporto e bem-estar.

No ano passado, os dados da SIBS, empresa que gere a rede multibanco, mostraram que as compras online no dia da Black Friday representaram 10,4% do total de compras, acima dos 8,6% registados na edição do ano anterior.

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Estas “lojas”, na sua maioria, não se encontram registadas como empresas em Portugal, não possuem um endereço físico de contacto, e, por vezes, não se tratam de vendas de comerciantes, mas sim vendas entre particulares, o que torna mais difícil a resolução de um possível conflito. O endereço físico da loja, ou uma morada para contacto, é essencial para reclamar em caso de conflito.

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