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BlackRock vê fim do “bom momento” do BCE e o regresso do espetro da estagflação

O Banco Central Europeu (BCE) já não se encontra numa “posição confortável”. Após um período de otimismo quanto à convergência da inflação para a meta dos 2%, o conflito no Médio Oriente veio baralhar as contas de Frankfurt, reintroduzindo o risco de estagflação na Zona Euro, defende declaração de Ann-Katrin Petersen, Chief Investment Strategist para a Alemanha, Áustria, Suíça e Europa de Leste no BlackRock Investment Institute.
19 Março 2026, 21h00

De acordo com Ann-Katrin Petersen, Estrategista de Investimento Chefe da BlackRock para a Alemanha, Áustria, Suíça e Europa de Leste, a instituição liderada por Christine Lagarde enfrenta agora um cenário de elevada incerteza.

O impacto do conflito nos preços da energia e nas cadeias de abastecimento ameaça impulsionar a inflação ao mesmo tempo que trava o crescimento económico, defende a analista da BlackRock.

Apesar do alerta, Ann-Katrin Petersen sublinha que o BCE não está na mesma posição vulnerável de 2022. Com as taxas de juro em níveis restritivos e as expectativas de inflação ancoradas nos 2% antes do início das tensões, a instituição considera-se “bem posicionada e equipada” para lidar com um eventual repique dos preços.

Para já, a urgência de agir preventivamente é limitada.

Christine Lagarde, na sua comunicação mais recente, optou pela prudência, sem compromissos. Não sinalizou subidas iminentes, mas também não refutou a mudança de sentimento do mercado, que passou de prever cortes para passar a ponderar um novo aumento de 25 pontos base.

A apresentação de projeções macroeconómicas alternativas reforça a necessidade de flexibilidade perante a volatilidade atual. O foco dos decisores de política monetária estará agora na propagação do choque energético, defende a BlackRock.

“Embora o BCE possa ignorar picos temporários nos preços da energia, qualquer contágio sustentado nos salários ou nas expectativas de inflação forçará uma resposta firme”, reforça Ann-Katrin Petersen.

A BlackRock salienta que a gravidade do cenário dependerá da duração do conflito e da extensão das perturbações nas cadeias logísticas, num contexto já pressionado pela escassez de mão-de-obra na Europa e por políticas fiscais ligeiramente mais expansionistas.


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