Blockchain: o que esperar em 2019?

Frederik De Breuck, responsável do Fujitsu Blockchain Innovation Center, elaborou as previsões para a Blockchain para o próximo ano.

Arnd Wiegmann/Reuters

1. As empresas vão acelerar significativamente a adoção da Blockchain e DLT

Apesar da perceção generalizada de que a blockchain está sobrevalorizada, é expectável que mais empresas e governos implementem a tecnologia ao longo do próximo ano. E, à medida que as empresas e os seus fornecedores de tecnologia ganhem uma valiosa experiência, a taxa de sucesso das implementações também irá aumentar de forma significativa. É provável que vejamos a tecnologia ser aplicada por empresas como parte de uma otimização mais lata dos processos ao invés de usos mais radicais. Estas implementações empresariais serão suportadas pelas emergentes plataformas de blockchain as a service e pelas estruturas de prototipagem rápida de provas de negócio.

2. Diferentes sistemas existentes vão funcionar melhor em conjunto

À medida que mais dados e transações são armazenados tanto em blockchains com autorizações (privadas) e sem autorizações (públicas), torna-se evidente que há uma necessidade crescente de interoperabilidade ininterrupta entre elas. Há algumas soluções iniciais disponíveis hoje (blocknet, Fusion), mas esperamos assistir à emergência de mais aplicações descentralizadas e da integração mais fácil com sistemas empresariais existentes.
As APIs vão desempenhar um papel chave nesta evolução. Todavia, o sucesso desta interoperabilidade requer que ela seja abordada de forma holística e apoiada por padrões do sector, em vez de ser um elemento isolado apenas relacionado com a blockchain e a DLT.

3. A IA vai começar a tornar os contratos mais inteligentes

Infelizmente, os ‘contratos inteligentes’ atuais não são inteligentes e também não podem ser legalmente considerados contratos. Também tendem a ser muito inflexíveis, incapazes de se adaptarem a alterações das circunstâncias – como mudanças na economia, por exemplo. São, essencialmente, pedaços de código que despoletam uma ação específica se determinadas condições forem cumpridas ou se um determinado evento tiver lugar. Prevemos que a IA vai começar a trazer valor acrescentado a este processo através da ativação de um novo tipo de contrato e fluxo de trabalho auto-ajustável. Também vamos começar a ver a IA começar a ser aplicada para preparar, gerir e pôr automaticamente em prática elementos dos contratos inteligentes. No entanto, ainda há um grande caminho a percorrer – a IA ainda não será capaz de criar e gerir atualizações e lançamentos de código dos contratos inteligentes para aplicar princípios como intenção, justiça, eficiência e crescimento. Mas acredito que os próximos 12 meses nos vão colocar no caminho certo.

4. Reguladores e Governos vão sofrer pressões cada vez maiores para adaptarem o ambiente regulamentar

É evidente que a blockchain, a DLT e os contratos inteligentes levantam questões legais significativas e, até à data, não há quaisquer leis ou regulamentos para as governar. Consequentemente, prevemos que em 2019 veremos algumas alterações nas implicações legais e regulamentares de implementar tecnologias blockchain e de DLT.
Continuará a haver atores nas comunidades de criptomoedas a alegar que os seus modelos são auto-regulados e, como tal, os governos não devem intervir. Todavia, esta auto-regulação ainda não convenceu (nem a mim, nem a muitos outros). Além disso, uma maior atenção dos reguladores e dos governos não é necessariamente má. Ela levará em conta o interesse público ao mesmo tempo que obriga as empresas e a sociedade de um modo geral a pensar na Blockchain e na DLT em termos de responsabilidade social empresarial (RSE), conformidade e comportamento ético.

5. A convergência de livros-razão públicos e privados vai impulsionar transformações empresariais mais alargadas

Vamos assistir a uma maior convergência das blockchains públicas e privadas, culminando no caminhar rumo a modelos híbridos cujos sistemas existentes são expostos através de APIs. Isto irá tornar-se mais importante do que nunca em 2019 com a rápida evolução de várias estruturas blockchain e a tendência cada vez maior para a padronização.

6. Blockchain as a Service e Distributed Storage na Blockchain vão ganhar balanço

O impacto derradeiro da DLT pode ser superior ao que qualquer um de nós prevê, mas até ao momento a adoção tem sido lenta. Esperamos que a emergência de plataformas de blockchain as a service comecem a mudar este cenário em 2019, pois estas plataformas nativas da cloud eliminam parte da complexidade da plataforma de livro-razão subjacente, removendo riscos e facilitando a implementação. As soluções irão desde ambientes de desenvolvimento para testes até soluções totalmente geridas.

7. Conceitos de Identidade e Provas de Conhecimento Zero tornar-se-ão parte vital das aplicações Blockchain

Este ano verá as plataformas blockchain adquirir mais funcionalidades que são essenciais para a adoção por parte das empresas – por exemplo, funcionalidades que tornem possível a partilha e a gestão de dados e de identidades de forma muito mais controlada e em conformidade com leis e regulamentos como o RGPD.
Uma capacidade chave envolve a demonstração de provas de conhecimento zero, isto é, a capacidade de provar que se possui determinado conhecimento sem revelar a informação em si. Ter mecanismos e padrões mais estáveis para gerir a identidade digital, o fluxo de informação ou a prova da existência de informação são activadores críticos para levar as aplicações a novas áreas.

8. Resiliência e robustecimento da DLT e blockchain está no horizonte

Nos últimos anos, assistimos à emergência de muitas plataformas e startups. Este enorme anseio por fazer parte deste mercado pode levar tanto as plataformas como as empresas a falharem, a desistirem ou a serem absorvidas em 2019.
Como se referiu, as grandes empresas são um pouco mais lentas a adotar novas tecnologias, pois exigem uma maior transformação, independentemente do facto de a maior parte delas compreender até certo nível aquilo que a Blockchain e a DLT lhes podem trazer.
A maior atenção de clientes empresariais e governamentais, apesar de ainda muito gradual e prudente, está decerto a causar na blockchain privada empresarial e em algumas blockchains mais orientadas para o público uma aceleração no desenvolvimento da plataforma. Isto está a tornar a resiliência e a adequação das plataformas às empresas significativamente melhor do que era no início de 2018. Gerir a confiança também significa ser capaz de confiar na plataforma em que se está a trabalhar, quer esta seja parcial ou totalmente descentralizada, privada ou pública.

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