Até ao final da semana, as taxas que afetam dois quintos da economia global, incluindo quatro dos países industrializados do G7, terão sido ajustadas ou reafirmadas. Um corte na taxa de juro dos EUA, há muito desejado pela Casa Branca de Trump, é o destaque da semana.
O primeiro corte na taxa de juro dos EUA desde que Donald Trump regressou à presidência provavelmente ganhará destaque numa semana que determinará as definições de política para metade das 10 moedas mais negociadas do mundo.
Começando pelo Banco do Canadá e, depois, pela Reserva Federal na quarta-feira, passando para o Banco de Inglaterra no dia seguinte e terminando no Banco do Japão, os bancos centrais podem ajustar os custos do crédito, preparar os investidores para as suas intenções no último trimestre do ano, ou ambos, revela a Bloomberg.
Por cá, o ciclo de cortes de juros parece ter terminado. Ao nível atual de 2,0%, a taxa de juro diretora está a meio do intervalo neutro (de 1,75% a 2,25%) que a equipa do BCE tinha estimado.
Os mercados asiáticos deverão abrir em baixa enquanto os investidores observam as negociações entre os EUA e a China em Espanha, numa altura tensa.
As autoridades dos EUA e da China iniciaram conversações em Madrid sobre os seus laços comerciais tensos, um prazo iminente para a alienação da aplicação TikTok e as exigências de Washington para que os seus aliados apliquem tarifas à China sobre as suas compras de petróleo russo.
Foi uma sexta-feira amena a que se viveu nas bolsas europeias, no fim da semana passada. Os investidores mostraram alguma cautela, até porque esta semana serão conhecidas algumas decisões de taxas de juro, como destacam os analistas do Millennium BCP.
No entanto, a descida dos juros do banco central norte-americano deverá ser a mais impactante, esperando-se um corte de pelo menos 25 pontos base.
As bolsas europeias terminaram a última sessão da semana sem tendência definida. O índice de referência europeu, o Stoxx 600, perdeu 0,09% para 554,84 pontos, pressionado sobretudo pelas ações de saúde, que deslizaram mais de 1%. O outro índice europeu, o EuroStoxx 50 subiu 0,07% para 5.390,71 pontos.
Entre os principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX recuou 0,02%, o espanhol IBEX 35 perdeu 0,09%, o italiano FTSE MIB valorizou 0,32%, o francês CAC-40 subiu 0,02%, o holandês AEX ganhou 0,35% e o britânico FTSE 100 perdeu 0,15%.
O PSI encerrou a sessão desta sexta-feira a desvalorizar 0,08% para 7.748,45 pontos, naquela que foi a semana de estreia da Teixeira Duarte no principal índice da bolsa de Lisboa. Em Portugal a Galp (+1,20% para 16,07 euros) esteve entre os ânimos, sustentada pela subida dos preços do petróleo que promete prolongar-se esta segunda-feira.
Em Espanha o destaque vai para a notícia que o Conselho de Administração do Banco Sabadell reuniu nesta quinta-feira e decidiu, por unanimidade, recomendar aos seus acionistas que rejeitem a Oferta Pública de Aquisição (OPA) do rival BBVA, que está a decorrer até 7 de outubro. A instituição considera que a oferta “subvaloriza o banco, o seu plano estratégico e a perspetivas futuras” e volta a reforçar que oferta do BBVA está entre 24% a 37% abaixo do valor real do banco.
Os juros da dívida soberana da Zona Euro encerraram a negociação desta sexta-feira com subidas, numa sessão que antecede uma série de idas ao mercado obrigacionista por parte de países da região.
Na segunda-feira, a Alemanha vai emitir até três mil milhões de euros em dívida a 12 meses, enquanto França retorna ao mercado da dívida para emitir até 7,7 mil milhões em várias maturidades. Isto numa altura em que a Fitch baixou a notação de crédito da França para A+ devido à turbulência política e à dívida. O movimento já era esperado pelos analistas e, entre as quatro grandes agências de notação financeira, a Fitch foi a primeira a retirar o rating de AA- à República francesa.
Já para Portugal a agência de rating norte-americana, Fitch, elevou o rating para ‘A’, apesar de ter baixado o outlook de positivo para estável.
“Estamos numa fase de baixa volatilidade nos mercados de ações e o pouco flow empresarial, uma vez que a época de apresentação de contas está terminada, o que acaba por voltar os investidores para os desenvolvimentos macroeconómicos que se avizinham. Entretanto, os indicadores de confiança medidos pela Universidade do Michigan apontaram para diminuição de confiança dos consumidores e para manutenção de expetativas de inflação em níveis elevados nos próximos 12 meses, mas a comunicação não teve impacto nas bolsas”, destacam os analistas da MTrader.
A geopolítica não dá tréguas, bem pelo contrário, com os países da NATO a escalarem as tensões com a Rússia. O presidente Donald Trump emitiu um ultimato aos aliados da NATO numa carta no sábado, afirmando que os EUA aplicarão sanções “importantes” à Rússia apenas quando estes concordarem em fazer o mesmo e deixarem de comprar petróleo russo.
No que toca ao ouro negociou acima dos 3.650 dólares com a abertura da sessão europeia desta sexta-feira, mantendo-se próximo do máximo histórico alcançado na passada terça-feira e a caminho da quarta semana consecutiva de ganhos, como escreve Ricardo Evangelista, CEO da ActivTrades Europe.
“Os números da inflação dos EUA, divulgados na sessão anterior, registaram uma ligeira subida face ao mês anterior, mas não foram suficientes para travar a fraqueza do dólar desencadeada pelos dececionantes dados do mercado laboral. A deterioração do emprego aumentou as apostas em cortes agressivos das taxas da Fed, provocando perdas no dólar e uma descida nos rendimentos das obrigações do Tesouro — uma dinâmica que beneficia o metal precioso”, refere Ricardo Evangelista.
“Neste contexto, a instabilidade política em França e no Japão, as guerras em curso no Médio Oriente e na Ucrânia, a incerteza económica relacionada com tarifas e os receios de que a interferência política possa comprometer a independência da Reserva Federal acrescentam apoio adicional ao preço do ouro, reforçando o seu apelo como ativo de refúgio e criando espaço para novos ganhos”, concluiu.
Wall Street concluiu a semana com novos recordes intradiários para o S&P e de fecho para o Nasdaq Composite. O S&P 500 perdeu l0,05% para 6.584,29 pontos, mas durante a sessão tocou máximos históricos nos 6.600,21 pontos. Também o Nasdaq Composite tocou em máximos de 22.182,34 pontos e fechou também no valor mais elevado de sempre, nos 22.141,10 pontos. Já o industrial Dow Jones afastou-se dos recordes atingidos na sessão anterior e recuou 0,6% para 45.834,22 pontos.
“No seio empresarial destaque para os rumores que apontam a possibilidade de uma OPA à Warner Bros e que anima as suas ações”, destacou a MTrader.
Os rendimentos (yields) dos títulos do Tesouro recuperaram ligeiramente após uma sessão volátil do dia anterior, mas mantiveram-se perto dos seus mínimos recentes.
“Os investidores aguardam a decisão da Fed de 17 de setembro e as projeções económicas atualizadas. Um conjunto de previsões mais otimistas pode pressionar os rendimentos e o dólar para baixo, enquanto um tom cauteloso pode oferecer algum suporte”, destaca Daniel Takieddine Co-founder and CEO da Sky Links Capital Group.
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