As bolsas europeias registaram em março a primeira queda mensal desde o início do ano, em consequência dos receios associados à guerra comercial travada entre os Estados Unidos e uma série de economias espalhadas um pouco por todo o mundo.
A queda surgiu na antecipação de um mês de abril que deverá ser pródigo no que diz respeito à guerra comercial, a começar já esta semana, em resultado de novas tarifas, a somar às que já foram implementadas.
Nesta quarta-feira, dia 2 de abril, Trump disse que iria assinalar-se o “Liberation Day”. Isto porque é precisamente nesta data que a Casa Branca vai oficializar aquilo que o presidente descreve, há várias semanas, como “tarifas recíprocas”, que vão incidir sobre as importações de “todos os países”. Também nesta quarta-feira, vão ser colocadas no terreno tarifas de 25% sobre os bens que chegam do Canadá e do México.
No dia seguinte, quinta-feira, vão entrar em vigor tarifas de 25% sobre todos os carros importados pelos EUA.
Os receios associados levaram a quedas mensais de 2,38% e 4,09% nos índices de referência das bolsas de Frankfurt (Alemanha) e Paris (França), respetivamente. Também em março, o índice Euro Stoxx 600, que junta as 600 maiores cotadas do continente europeu, registou um decréscimo de 1,58%.
Tudo somado, levantam-se preocupações sobre acentuados aumentos de custos para as empresas, que deverão pesar nas carteiras dos consumidores. Se assim for, a consequência será o reforçar das pressões acionistas, que deverá contribuir para a Reserva Federal não cortar nas taxas de juro de referência no futuro mais próximo. Ao mesmo tempo, surgem receios sobre a possibilidade de a maior economia do mundo entrar em recessão.
O sentimento negativo é notório, mas o que é certo é que janeiro e fevereiro foram meses positivos, pelo que as ações europeias abriram o ano de 2025 com um trimestre positivo, ao contrário do que aconteceu do outro lado do Atlântico, em Nova Iorque.
Wall Street registou o pior trimestre em vários anos
O primeiro trimestre de 2025 terminou na segunda-feira e foi, na bolsa de Nova Iorque, o pior em vários anos, por comparação com as bolsas à escala global. As incertezas, nomeadamente no que respeita aos planos empresarial e macroeconómico, em parte por consequência das novas tarifas às importações, levaram os mercados norte-americanos a tombarem de forma expressiva.
O Nasdaq 100, por exemplo, registou o seu pior trimestre em quase três anos. O índice junta Microsoft, Amazon, Alphabet ou Meta (todas com quedas de pelo menos 20% no período em análise), entre um total de 100 tecnológicas de peso. No centro do pessimismo esteve a Nvidia, com uma desvalorização de 28% após o máximo histórico alcançado no dia 6 de janeiro. Tudo somado, aquele índice caiu 8,3% entre janeiro e março de 2025.
No caso do S&P 500, as perdas foram mais além e significaram o pior trimestre desde 2009.
As atenções dos mercados estão agora viradas para o anúncio de novas tarifas comerciais, em particular as tarifas recíprocas e aquelas que vão incidir sobre a indústria automóvel.
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