Boris Johnson pede à França e Alemanha para mudarem posição face ao Brexit

O primeiro-ministro britânico acredita que as reuniões desta semana com a chanceler alemã, Angela Merkel, e com o presidente francês, Emmanuel Macron, servirão para que os líderes dos dois países optem favoravelmente por uma saída da União Europeia com acordo.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, pediu esta segunda-feira à França e à Alemanha para mudarem a sua posição sobre o Brexit e negociarem um novo acordo para a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), salientando, contudo, que o país está pronto para sair da comunidade única sem acordo, relata a agência “Reuters“.

“Os nossos amigos e parceiros do outro lado do canal estão relutantes em mudar de posição. Tudo bem. Estou confiante de que eles o farão”, referiu Boris Johnson à imprensa em Truro, no sudoeste da Inglaterra.

O Reino Unido tem menos de 74 dias para resolver uma crise de três anos que coloca o país em rota de colisão com a União Europeia. “Estaremos prontos para sair a 31 de outubro, com ou acordo ou não”, afirmou Boris Johnson.

Questionado especificamente sobre as reuniões agendadas para esta semana com a chanceler alemã, Angela Merkel, e com o presidente francês, Emmanuel Macron, o líder britânico acredita esperar que “eles [Alemanha e França] vejam isso como um compromisso”.

Boris Johnson tomou posse no mês passado depois da sua antecessora, Theresa May, falhar três vezes a tentativa do parlamento em aprovar o acordo de saída que ela havia negociado com a União Europeia. Na sua primeira viagem ao estrangeiro como primeiro-ministro, Boris Johnson vai encontrar-se com Angela Merkel em Berlim na quarta-feira e Emmanuel Macron em Paris na quinta-feira.

A Comissão Europeia, que lidera as negociações em nome da França, Alemanha e outros membros da UE, disse que está pronta para um Brexit sem compromisso e que a Grã-Bretanha será a mais prejudicada neste cenário. No domingo, Merkel disse que a Alemanha estaria preparada independentemente do resultado.

Ministros do governo conservador de Johnson relativizaram a falta de avaliações no domingo, dizendo que o documento era antigo e não refletia o aumento do financiamento e do planeamento empreendidos pelo primeiro-ministro desde que assumiu o cargo. Além diso, acusam o Partido Trabalhista de oposição e outros que se opõem a um não-acordo do Brexit de minar as negociações com a UE, dizendo que os líderes europeus vão esperar para ver se o parlamento pode bloquear tal resultado antes de decidir se renegociou o acordo.

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