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Bosch com indicadores fracos em 2025 adia para 2027 a meta de crescimento de 7% dos resultados antes de impostos

O abrandamento económico global, o aumento de tarifas e os elevados custos de reestruturação — que incluem o anúncio do corte de 13 mil postos de trabalho — pesaram no balanço final. A empresa admitiu que a meta de atingir uma margem de lucro de 7% foi adiada: o objetivo, anteriormente previsto para 2026, só deverá ser alcançado, “no mínimo”, em 2027.
30 Janeiro 2026, 13h37

A gigante tecnológica Bosch apresentou os seus resultados preliminares de 2025, descrevendo o exercício como um período “extremamente desafiante”. Apesar de ter mantido as receitas estáveis nos 91 mil milhões de euros, um valor praticamente estável em comparação com os 90,3 mil milhões de euros de 2024 (aumento nominal de cerca de 0,8%), a rentabilidade do grupo sofreu um revés significativo, com a margem de EBIT (resultados antes de impostos) a cair para 1,9%, significativamente abaixo das expectativas e dos 3,5% alcançados em 2024.

Após ajustes pelos efeitos cambiais, o crescimento das receitas foi de 4,2%, o que demonstra, ainda assim, alguma resiliência apesar do contexto desfavorável.

A empresa planeia reduzir custos, simplificar a organização e investir 2,5 mil milhões de euros em inteligência artificial até 2027 para atingir uma meta de margem de 7% até 2027. Desta forma a empresa admitiu que a meta de atingir uma margem de lucro antes de impostos de 7% foi adiada: o objetivo, anteriormente previsto para 2026, só deverá ser alcançado, “no mínimo”, em 2027.

A empresa enfrenta uma lacuna significativa de custos, especialmente no setor de Mobilidade, onde o défice anual é estimado em cerca de 2,5 mil milhões de euros em relação à margem-alvo, impulsionado pela transição para a eletromobilidade, pressão de preços e concorrência intensa (particularmente da China).

O abrandamento económico global, o aumento de tarifas e os elevados custos de reestruturação — que incluem o anúncio do corte de 13 mil postos de trabalho — pesaram no balanço final.

Isto porque para reforçar a competitividade e a capacidade de investimento, a Bosch intensificou medidas como redução de custos de materiais, maior uso de inteligência artificial para produtividade, rigor nos investimentos e simplificação organizacional. O que  inclui a eliminação de cerca de 13 mil postos de trabalho anunciada anteriormente, implementada de forma socialmente responsável em diálogo com os representantes dos trabalhadores, embora com custos iniciais elevados (provisões de cerca de 2,7 mil milhões de euros em 2025).

No final de 2025, o grupo empregava aproximadamente 412.400 colaboradores em todo o mundo, uma redução de cerca de 1% (5.400 pessoas) em relação ao ano anterior, com impacto mais acentuado na Alemanha (queda de cerca de 5%, para 123.100 colaboradores).

Stefan Hartung, presidente do conselho de administração da Robert Bosch GmbH, descreveu 2025 como “um ano difícil e, por vezes, doloroso para a Bosch”, atribuindo os resultados à fraca economia global, aumento de tarifas comerciais, queda nas vendas em alguns segmentos e provisões elevadas para ajustes estruturais e medidas de pessoal.

A empresa antecipa uma concorrência cada vez mais intensa num contexto económico desfavorável.

A empresa definiu ainda a sua Estratégia 2030 para garantir a competitividade através da redução de custos e reforçar a capacidade de investimento, além de apostar em inovações e aquisições para criar oportunidades de negócio.

Apesar dos desafios, a Bosch mantém assim firme a sua Estratégia 2030, que visa posicionar a empresa entre os três principais fornecedores nos mercados-chave globais, com crescimento anual de vendas de 6 a 8% e margem EBIT de pelo menos 7%. Devido ao ambiente atual, a meta de 7% foi adiada para 2027 no mínimo.

Apesar do cenário atual, Markus Forschner, CFO da Bosch, mantém o otimismo a longo prazo, afirmando que as reformas em curso “lançarão as bases para o sucesso futuro” da marca.

A empresa reafirmou o seu compromisso com a Inteligência Artificial, prevendo um investimento total de 2,5 mil milhões de euros até ao final de 2027.

No setor de mobilidade impulsionada por software, a Bosch garantiu encomendas no valor de 10 mil milhões de euros para soluções de condução automatizada, sensores e computadores centrais de veículo.

A integração do negócio AVAC (aquecimento, ventilação e ar condicionado) adquirido impulsiona o crescimento da Bosch Home Comfort, com meta de duplicar as receitas para 8 mil milhões de euros a médio prazo.

Na divisão de Ferramentas Elétricas, o tempo de lançamento de produtos foi reduzido em média em dois meses, com plano de lançar cerca de 2.000 novos produtos até 2027.

Hartung aproveitou a apresentação para deixar um alerta político. Citando o estudo Bosch Tech Compass, o executivo manifestou preocupação com o ceticismo tecnológico na Europa, especialmente em França e na Alemanha. Segundo Hartung, a resistência ao progresso coloca em risco a prosperidade do continente face à concorrência global.

 


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