Bosch “reina” na mobilidade elétrica. Encomendas já vão nos 13 mil milhões de euros

O gigante alemão Bosch está a ocupar uma posição determinante no mercado dos veículos elétricos. Motores elétricos trifásicos, cabos, baterias, travões, direções automáticas e sistemas de inteligência artificial, passando pelas tecnologias híbridas ou até pelas células de combustível, em quase todas as áreas deste novo e vasto mercado está presente com investigação, desenvolvimento e produção.

Quem conhece as pistas de testes do circuito alemão de Boxberg, localizado no meio do denso pinhal do distrito de Main-Tauber-Kreis, perto de Estugarda, no Estado de Baden-Württemberg, entenderá que nenhuma empresa investe numa infraestrutura daquelas, com uma área total de 94 hectares – que inclui uma pista oval de alta velocidade com três quilómetros de extensão – sem ter objetivos muito precisos a alcançar no sector automóvel e, dentro deste, ainda mais precisos no que diz respeito ao mundo da mobilidade elétrica. Efetivamente, quando se sabe que praticamente todas as marcas automóveis têm projetos para a produção de veículos elétricos – e algumas até admitem que a curto prazo vão reconverter a totalidade do fabrico para os carros elétricos –, poucas vezes se refere que quase todos os carros elétricos incorporam componentes fornecidos pela multinacional Bosch.

Nesta lista de componentes não estão só motores elétricos trifásicos, mas toda uma vastíssima panóplia tecnológica que vai dos simples cabos especiais, aos sensores e micro giroscópios, essenciais à condução autónoma permitida pela geração da mobilidade elétrica inteligente e utilizada sobretudo para o serviço de estacionamento autónomo. Do lado da criação de software, a própria Bosch refere que investe anualmente três mil milhões de euros no desenvolvimento de software. Mas mais que os custos em desenvolvimento, este novo negócio destaca-se pelo elevado retorno obtido nas encomendas que o Grupo Bosch tem na área da designada “eletromobilidade” e que, desde o início de 2018, já ascendem a cerca de 13 mil milhões de euros. Isto leva a pensar que em cada carro (elétrico, híbrido ou plug-in) é quase impossível não encontrar componentes fabricados pela Bosch.

É por isso que, por exemplo, quando a Porsche agendou os testes para o seu 918 Spyder – uma “montra tecnológica” que custa mais de um milhão de euros e que a marca alemã começou a fabricar em 18 de setembro de 2013, em número reduzido –, incluiu desde logo os respectivos testes no circuito de Boxberg. Muito antes de iniciar o projeto do recém-divulgado elétrico Taycan, a Porsche apostou no 918 Spyder como exponente da tecnologia que alia um motor V8 de 4.6 litros normalmente aspirado, com uma potência de “base” de 453 kW (cerca de 600 cavalos), ao desempenho de dois motores elétricos que acrescentam 208 kW (cerca de 300 cavalos) num conjunto que dispõe de um total de 661 kW (ou centa de 900 cavalos).

Neste enquadramento de alta tecnologia , a indústria automóvel aposta cada vez mais na “eletromobilidade”, onde a Bosch é um dos principais players industriais, porventura o que avança na “pista mais rápida”, como refere a própria empresa. A Bosch admite que “nenhuma outra empresa possui tanta experiência neste domínio, e isso reflete-se nos resultados: desde o início de 2018, a Bosch recebeu pedidos de eletromobilidade no valor de aproximadamente 13 mil milhões de euros, incluindo projetos de produção de transmissões elétricas para automóveis e camiões ligeiros”.

Neste sentido, o gigante alemão refere que “o setor de negócios das ‘Soluções de Mobilidade’ continua a desenvolver-se melhor do que a produção automóvel global em 2019”. “A transformação da mobilidade envolve desafios, mas também oportunidades. Queremos compreendê-los”, comenta o presidente do conselho de administração da Bosch, Volkmar Denner.

O investimento anual concretizado pela Bosch faz com que “seja possível melhorar ainda mais os motores convencionais e a eletrificação de rastreamento rápido”, além do trabalho desenvolvido na mobilidade automatizada, conectada e personalizada. As operações de mobilidade da Bosch empregam atualmente cerca de 14 mil engenheiros de software, e os gastos anuais com experiência em software chegam a três mil milhões de euros. “A Bosch está a tornar a mobilidade acessível e amiga do ambiente”, refere Volkmar Denner, explicando que “estamos também a dedicar-nos ao desenvolvimento de soluções de mobilidade que não têm um impacto significativo no aquecimento global e na qualidade do ar”.

A Bosch tem investido cerca de 400 milhões de euros em mobilidade livre de emissões. E em concreto na área da “eletromobilidade”, considera que “tem uma pegada mais ampla do que outras empresas”, porque inclui nos seus produtos uma gama tão vasta que abrange bicicletas e camiões, incluíndo a designada “hibridação suave”, de 48 volts, e os motores de arranque totalmente elétricos.

A Bosch já admitiu que quer alcançar a liderança do mercado com a sua bateria de 48 volts – para tal efetuou um acordo de cooperação de longo prazo com a empresa chinesa Contemporary Amperex Technology Limited (CATL) para a produção de células de bateria.

A evolução neste segmento impressiona. No começo de 2019, a Bosch previa vendas de cinco mil milhões de euros até 2025 obtidos em componentes e sistemas de “eletromobilidade” para automóveis de passageiros e camiões ligeiros. Mas em poucos meses, tudo mudou, admitindo que esse montante será ultrapassado. “Gerimos a mobilidade livre de emissões apresentando soluções acessíveis”, refere o presidente da Bosch. É por isso que admite que conseguirá massificar o mercado das células de combustível (que ainda tem preços muito elevados), entre outras tecnologias que pretende desenvolver, como o iDisc, que “gera apenas 10% do pó produzido por um disco de travão convencional”, ou como “o sistema de travagem regenerativa, que pode reduzir o pó de travão em mais de 95% em veículos elétricos”, refere a Bosch. Outra área em desenvolvimento é a da “direção automatizada”. Nos sistemas de assistência ao motorista a Bosch prevê obter “um crescimento de 12% e vendas de dois mil milhões de euros já este ano”, aumentando o investimento no desenvolvimento da “direção automatizada” para um montante da ordem dos “quatro mil milhões de euros até 2022”, adianta.

Portugal é um dos mercado em que a Bosch tem uma presença mais antiga, remontando a 1911, sendo atualmente “um dos maiores empregadores do país, com 5.200 colaboradores (no fim de 2018) que contribuíram para gerar 1,7 mil milhões de euros em vendas internas em 2018”, refere a empresa alemã. As áreas de negócio de “Soluções de Mobilidade” e “Energia e Tecnologia de Edifícios” estão presentes em Portugal, com unidades em Aveiro, Braga e Ovar, onde desenvolve e produz soluções de água quente; soluções de multimédia e segurança automóvel; sistemas de videovigilância e comunicação, “dos quais mais de 90% são exportados para mercados internacionais”. A partir de Lisboa, são ainda realizadas atividades de vendas, marketing, contabilidade e comunicação. O Grupo Bosch emprega mais de 410 mil colaboradores em todo o mundo (no final de 2018), que contribuíram para gerar uma faturação de 78,5 mil milhões de euros em 2017.

 

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