O BPI registou lucros de 389 milhões de euros nos nove meses o que traduz uma queda de 12% anual.
A atividade em Portugal contribuiu com 362 milhões para o resultado do Banco BPI, o que representa uma diminuição de 5%, justificada pela redução dos proveitos com juros decorrente do repricing do crédito com indexantes mais baixos. As participações no BFA e BCI tiveram um contributo total de 28 milhões de euros.
O banco destacou o sucesso da OPV do Banco Fomento Angola. O BPI vendeu uma participação de 14,75%, com procura 5x superior à oferta, na maior operação em África em 2025.
“Ninguém acreditava que isto fosse possível, mas está aí, foi feito com os angolanos, foi colocado em muitos investidores angolanos em várias províncias (Angola tem 38 milhões de habitantes) é a maior operação de África de 2025 e a maior em Angola desde sempre”, disse o CEO do BPI, João Pedro Oliveira e Costa, na apresentação de resultados.
Depois do IPO (Oferta Pública Inicial) a participação do Estado angolano (através da Unitel) e do Banco BPI no BFA cai para 36,9% e 33,35%, respetivamente.
“Temos uma cláusula de tag-along para acompanhar uma venda futura pelo Estado angolano”, disse o CEO do BPI lembrando que a participação no BFA é financeira e não estratégica, “também por isso não estamos nos órgãos sociais”, rematou.
“Esta cláusula é um direito de venda, não uma obrigação de venda”, explicou o banqueiro quando questionado se a tag-along obrigava o BPI a vender nas mesmas condições que a Unitel numa futura venda.
João Pedro Oliveira e Costa destacou ainda que “não há nenhum plano de uma nova operação de privatização do BPF”.
O impacto da venda não vai a resultados mas sim a reservas e o valor já registado ascende a 9 milhões de euros (mais-valias).
O encaixe da venda do BFA, explicou a administração do banco, é de 100 milhões de euros, mas ainda não foi transferido para Portugal pelo que não impactou no rácio de capital CET1. Se tivesse sido transferido até setembro teria tido um impacto positivo no CET1 de 50 pontos base.
Na conta de resultados, o Banco BPI destacou que produto bancário ascendeu a 914 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2025, o que correspondeu a uma redução de 9% anual. A margem financeira diminui 11% para 657 milhões, explicado pelo repricing do crédito com indexantes inferiores aos do período homólogo, que foi apenas parcialmente compensado pelo efeito volume positivo do crescimento do negócio.
Na variação trimestral, a margem financeira mostra uma tendência de estabilização.
O produto bancário inclui, nos dois períodos, efeitos one-off de valor próximo. Um em 2024, que consiste num ganho de 16 milhões em comissões (excluindo este one-off, as Comissões diminuem 1% num ano). Um segundo efeito em 2025, que foi a reversão do custo com as contribuições do Adicional de Solidariedade sobre o Sector Bancário pagas em exercícios passados (18 milhões), na sequência dos acórdãos do Tribunal Constitucional, que declararam aquele imposto inconstitucional.
O BPI incorporou já o reembolso de 18 milhões de euros do Adicional de Solidariedade, considerado inconstitucional, na rubrica ‘outros proveitos’.
Os custos de estrutura recorrentes mantêm-se controlados (+2%). O número de colaboradores do BPI aumentou para 4.430 no final de setembro de 2025, mais 175 do que no ano passado. O rácio de eficiência (cost-to-income) situou-se em 40% (nos 12 meses até setembro 2025), piorando face aos 37% em 2024.
No balanço, a carteira total de crédito a clientes (bruto) aumentou 8% num ano, para 32,6 mil milhões de euros, o que corresponde a um incremento homólogo de 2,3 mil milhões.
A quota de mercado em crédito manteve-se estável (12% em agosto de 2025). A contratação de novo crédito à habitação até setembro de 2025 atingiu 2,9 milhões, o que corresponde a um aumento homólogo de 49% e a uma quota de mercado de produção de 15,4% (janeiro a agosto de 2025).
No total, a carteira de crédito à habitação aumentou 12% num ano para 16,7 mil milhões de euros e a quota de mercado na carteira aumentou 32 bps para 13,1% em agosto de 2025. “De registar que, no período em análise, o BPI celebrou 4 mil contratos de crédito habitação jovem com garantia pública, tendo sido concedidos empréstimos no valor total de 783 milhões de euros”, refere o banco.
BPI pediu um reforço da garantia do Estado no crédito hipotecário e, até ao momento, já contratou 128 milhões de euros dos 240 milhões que recebeu em garantias estatais.
Em setembro, o Ministério das Finanças autorizou o pedido do BPI de reforço da garantia pública em 100 milhões de euros.
No que se refere ao crédito a empresas, a carteira cresceu 5% para 12,1 mil milhões, “suportada pelo forte impulso ao financiamento de PME que aumentou 10% para 6,5 milhões de euros”.
“De salientar que o BPI concedeu mil milhões de euros de financiamento sustentável a empresas e particulares no período em análise”, destaca o banco.
O CEO diz que “o crédito cresce com risco mais baixo de sempre”. O custo do risco de crédito fixou-se em 0,09% (em percentagem do crédito bruto e garantias).
As imparidades líquidas de recuperações ascenderam, nos nove meses, 29 milhões de euros. O saldo no balanço de imparidades não alocadas a riscos específicos ascende a 70 milhões.
“As imparidades de crédito líquidas de recuperações ascenderam a 29 milhões mantendo-se o custo do risco de crédito em níveis baixos, fixando-se em 0,09% em percentagem da carteira de crédito, nos últimos 12 meses”, revela o BPI.
“Apesar do forte crescimento do volume de crédito, o rácio de Non-performing exposures (NPE, critérios EBA) do BPI ascende a 1,2% e a cobertura por imparidades e colaterais situa-se em 146%”, acrescenta o banco.
“O rácio de Non-performing loans (NPL) situa-se nos 1,5% cobertos a 147% por imparidades e colaterais”, refere ainda a instituição.
Do outro lado do balanço, os recursos totais de clientes aumentaram 10% (+3,9 mil milhões), totalizando 42,6 mil milhões no final de setembro.
Os depósitos de clientes aumentaram 9% para 32,1 mil milhões (+2,6 mil milhões de euros). Já os recursos fora do balanço (fundos de investimento, seguros de capitalização e outros) registaram uma subida de 14% num ano para 10,5 mil milhões (+1,3 mil).
Por fim, o BPI diz que cumpre por margem significativa os requisitos mínimos exigidos pelo Banco Central Europeu (BCE), incorporando o impacto das regras de Basileia IV que entraram em vigor no início de 2025.
No final de setembro 2025, o BPI apresentava um rácio de capital CET1 de 14,3%, um rácio de capital Tier 1 de 15,7% e um rácio de capital total de 17,8%.
O rácio de leverage situou-se em 7,4%. O Buffer MDA – folga de capital sem limitações à distribuição de resultados – ascende a 4.0 p.p..
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