Brasil/Eleições: Tudo em aberto para a segunda volta das presidenciais

O professor de política da Universidade Católica de São Paulo Edison Nunes considerou que o cenário da segunda volta das presidenciais brasileiras está em aberto, mas sublinhou acreditar que Jair Bolsonaro será o vencedor.

“O segundo turno é sempre uma nova eleição. Em princípio, as chances do Bolsonaro ganhar são enormes porque chegou muito próximo dos 50%, mas várias coisas podem acontecer porque é agora, na segunda volta, que a questão primordial das alianças políticas se vai consolidar”, disse Edison Nunes, em entrevista à agência Lusa.

Contrariamente ao que espera para a segunda volta, o professor admitiu que durante todo o período eleitoral houve um registo quase nulo de coligações políticas, e quem acabou por se coligar, saiu bastante prejudicado.

“Foi a primeira vez, com novas regras eleitorais a funcionar, que se incentivou os partidos a não se coligar. Além disso, a população insatisfeita com os políticos e com a maneira que se comportaram, e comportam atualmente, criou uma enorme rejeição até de compromissos com os partidos” afirmou.

Edison Nunes acrescentou que “o único candidato que fez coligação foi extremamente penalizado por causa disso, que foi o Geraldo Alckmin, do PSDB, que terminou (a eleição) com menos de 5% dos votos”.

Alckmin, do Partido Social Democracia Brasileira (PSDB), criou uma aliança com nove partidos: PSDB, Progressistas (PP), Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Partido Social-Democrático (PSD), Solidariedade (SD), Partido Republicano Brasileiro (PRB), Democratas (DEM), Partido Popular Socialista (PPS) e Partido da República (PR), o que lhe garantiu um maior tempo de antena na televisão, algo que não foi suficiente para cativar os brasileiros, que acabaram por lhe dar apenas 4,76% dos votos.

Edison Nunes afirmou também que vê em Bolsonaro um candidato capaz de “contribuir muito” para a evolução do Brasil, ao contrário de Fernando Haddad, que “queimou todas as possibilidade de formar governo”.

“O Bolsonaro, apesar de ser uma pessoa mais tosca (…) é uma pessoa que certamente pode contribuir muito. Dizem que ele é autoritário, mas quem pensa de forma diferente é sempre visto como algo problemático”, considerou o professor de política.

Para o académico, a imagem de um “Bolsonaro monstro” foi formada erradamente.

“O Bolsonaro não vai perseguir homossexuais, não vai discriminar negros, não vai colocar burka [veste tradicional muçulmana que cobre todo o corpo] nas mulheres. Por outras palavras, pintaram o espantalho do diabo nele”, disse.

À Lusa, Edison Nunes enumerou os pontos que o candidato da extrema-direita tem a favor e contra, num embate com Fernando Haddad na segunda volta.

“Favorável ao Bolsonaro está a rejeição do PT (Partido dos Trabalhadores), a tentativa de renovar o ambiente político, a exigência de moral na política e também está o empoderamento de setores da sociedade que até então estavam calados por um discurso de elites”.

Em oposição à vitória de Bolsonaro, Edison Nunes disse acreditar que a cultura do “ódio que tem sido disseminada nos últimos 15 a 20 anos” contra tudo o que almeje a “ordem na sociedade brasileira”, pode pesar na hora da votação, assim como a união dos partidos de esquerda para que Fernando Haddad vença.

O candidato do PSL venceu as eleições presidenciais brasileiras deste domingo, com 46,7% dos votos, seguido de Fernando Haddad (PT), com 28,37%, resultado que ditou a necessidade de uma segunda volta entre os dois candidatos, já que nenhum obteve mais de 50%.

A decisão sobre o sucessor de Michel Temer como 38.º Presidente da República Federativa do Brasil fica assim adiada para 28 de outubro.

Neste domingo, 147 milhões de brasileiros foram às urnas para escolher um novo Presidente, membros do parlamento (Câmara dos Deputados e Senado), além de governadores e legisladores regionais em todo o país.

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