Brexit e Covid-19: quão doente pode (ainda) ficar a economia?

Reduzir custos permite libertar fundos. Mas só cortando no que realmente é supérfluo, e não no essencial ao negócio, é que as empresas poderão dar uma resposta rápida e eficaz, destacando-se da concorrência.

A sabedoria popular diz-nos que um mal nunca vem só. Depois de o Reino Unido abandonar a União Europeia, a pandemia de Covid-19 veio prejudicar as economias a nível europeu e mundial. Em todas as empresas com ligação económica ao Reino Unido, a pergunta paira como uma nuvem negra: como sobreviver ao impacto do Brexit e da Covid-19?

Em janeiro de 2020, o Reino Unido saiu formalmente da União Europeia, por decisão própria, sendo que, até ao final do ano, terá um período de transição para estabelecer as regras económicas pelas quais o país e os Estados-membros se vão reger. Após este período de transição, o Reino Unido retirar-se-á do mercado comum europeu.

Embora a saída esteja iminente, existem muitas dúvidas e alguns temas importantes a resolver. A pandemia de Covid-19 veio atrasar e complicar as negociações. Além disso, teve um impacto gigantesco nas economias, tornando esta saída mais árdua e nefasta para as empresas.

Apesar de não existir ainda um acordo definido para o Brexit, podemos já antever algumas das dificuldades, como um aumento de burocracia para quem pretende importar ou exportar mercadorias do/para o território britânico. É também expectável que o Reino Unido venha a pedir documentação relativa a segurança e proteção das mercadorias transportadas e uma licença especial para certas mercadorias (resíduos, produtos químicos perigosos, etc.), o que irá, obviamente, representar custos.

As empresas cujas rotas de transporte passem pelo Reino Unido deverão ser as mais afetadas, motivo pelo qual muitas já as estão a alterar, o que resulta também num custo acrescido. Os armazéns e sedes no Reino Unido são agora problemáticos para os seus proprietários, uma vez que ainda não se sabe até que ponto as transações com a restante Europa poderão ser impactadas negativamente.

Este enquadramento já seria mau o suficiente só por si. Acompanhado por uma pandemia sem fim à vista, torna-se ainda pior. A Covid-19, além das mortes e do impacto brutal nos sistemas de saúde de cada país, é também extremamente nociva para as economias, obrigando as empresas a repensar os seus negócios e algumas até mesmo a fechar por falta de liquidez.

A realidade é pouco animadora. Não sabemos até quando a pandemia vai continuar a atormentar as populações e os mercados, e o Brexit não vai (provavelmente) voltar atrás. Isto quer dizer que os próximos tempos serão ainda mais desafiantes para as empresas. A economia poderá ficar doente como nunca a vimos.

Reduzir os custos pode não ser uma cura milagrosa, mas é, sem dúvida, um remédio para a quebra da faturação, que muitas estão a verificar, em especial as pequenas e médias empresas. Ao apostar numa estratégia de redução de custos, feita à medida das necessidades e especificidades da empresa, os gestores conseguem libertar fundos para investir em formas alternativas de negócio, recuperando parte dos prejuízos e evitando despedimentos.

Mas atenção: o corte de despesas tem de ser estratégico para ser eficaz. Só cortando no que realmente é supérfluo (e não no essencial ao negócio) é que as empresas terão capacidade de conseguir uma resposta rápida e eficaz, destacando-se da concorrência.

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