Brexit? “Estamos prontos para o ‘no deal'”, diz comissário europeu na Web Summit

“Nós estamos prontos. Estamos prontos para o no deal. Claro que preferimos um acordo, mas fomos claros desde o primeiro dia sobre as condições que iriam beneficiar o mercado único”, frisou Thierry Breton, comissário europeu para o Mercado Único.

As negociações entre a União Europeia (UE) e o Reino Unido sobre acordo de comércio para o pós-Brexit continuam num impasse. As duas partes têm até ao dia 31 de dezembro para alcançarem um entendimento e, a poucos dias de o Reino Unido sair do mercado único definitivamente, o comissário europeu para o Mercado Único, Thierry Breton disse que o bloco regional europeu está pronto para o no deal.

Em conferência de imprensa realizada esta terça-feira em formato virtual, na Web Summit, Thierry Breton disse taxativamente que “estamos prontos para o no deal“.

No início de novembro, o comissário europeu disse que haveria 50% de hipóteses de se chegar a um acordo comercial entre a UE e o Reino Unido. Questionado sobre as possibilidades atuais de ambas as partes chegarem a acordo, Thierry Breton foi evasivo: “eu diria que estamos em 55-45, mas não vou dizer em que direção”.

“Não posso dizer mais e, para dizer a verdade, eu não consigo prever o resultado” das negociações, adiantou o comissário europeu para o Mercado Único.

“Nós estamos prontos. Estamos prontos para o no deal. Claro que preferimos um acordo, mas fomos claros desde o primeiro dia sobre as condições que iriam beneficiar o Mercado Único”, frisou Thierry Breton.

No dia 31 de janeiro de 2020, o Reino Unido formalizou a saída da UE, cumprindo assim a vontade do referendum realizado em 2016 sobre a permanência britânica no bloco regional europeu, que ficou conhecido por Brexit.

Entrou-se depois no chamado período de transição, que termina no último dia do ano de 2020, a 31 de dezembro, que é também o prazo para que o Reino Unido e a UE cheguem a um acordo comercial.

Segundo a imprensa internacional, um entrave recente às negociações tem sido a falta de entendimento sobre as pescas. Bruxelas quer um salvo-conduto, isto é, uma espécie de licença em regime livre, mas o Reino Unido quer controlar as suas águas, regulando o seu acesso e estabelecendo quotas para a pesca.

No entanto, segundo avançou jornal britânico “The Guardian” esta quarta-feira, o primeiro ministro inglês, Boris Johson atenou as exigências neste capítulo, reduzindo a quantidade de pesca das embarcações europeias que teria de ser repatriada para o Reino Unido, de 80% para 60%. Michel Barnier, que tem liderado as negociações do lado dos europeus, ofereceu repatriar apenas entre 15% a 18% do peixe pescado em águas britânicas.

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