Brexit, uma história interminável

O mercado está agora numa fase de algum risco acrescido, que a época de resultados não tem conseguido amenizar, até porque as empresas não fazem milagres e o ambiente económico é hoje bem mais desafiante do que há um ano

Depois de uma semana em que Wall Street terminou a sexta-feira em baixa ligeira, mas ainda assim sem comprometer o amealhar de alguns ganhos no período de cinco dias de negociação, os investidores entram hoje ao serviço com mais um episódio da novela Brexit, que no final das contas não deu em nada, isto porque apesar de estarmos apenas a onze dias da data limite para a efectivação do Brexit, o primeiro ministro Boris Johson e a maioria dos deputados do parlamento inglês ainda andam entretidos com um jogo do gato e do rato, em que o primeiro tenta fazer as coisas à sua maneira, enquanto que os segundos depressa aprovam legislação para que Boris não levem a sua intenção de um Brexit a qualquer custo.

Os próximos dias certamente que trarão mais alguma adrenalina ao Footsie e à Libra inglesa, dada a imprevisibilidade do que poderá acontecer, até porque não é garantido que todos os 27 membros da União Europeia aprovem a extensão do prazo, caso este seja necessário, nem se sabe com alguma fiabilidade, quais as probabilidade de Boris Johnson conseguir aprovar legislação no Parlamento que lhe permitia efectivar a saída e evitar a extensão até 31 de Janeiro. Mas se da Europa o sentimento anda algo perdido nestes avanços e recuos, do outro lado do Atlântico as coisas não são muito diferentes, com a novela da guerra comercial a competir com o Brexit no número de capítulos sem qualquer consequência prática, mas que influenciam em parte o movimento dos índices.

Com Wall Street perto de máximos históricos e com dados económicos contraditórios, mas com uma ligeira tendência negativa, das duas maiores economias do mundo, o mercado está agora numa fase de algum risco acrescido, que a época de resultados não tem conseguido amenizar, até porque as empresas não fazem milagres e o ambiente económico é hoje bem mais desafiante do que há um ano, o que se tem reflectido nos lucros e receitas das empresas que já reportaram, com as surpresas positivas a serem de 2,6% acima do previsto, uma média que fica baixo dos 3 a 3,5% que se tem verificado nas earning seasons mais recentes, pelo que alguma cautela na hora de entrar em posições de longo prazo seja agora um sentimento visível no mercado.

Recomendadas

BCP, Jerónimo Martins e Mota-Engil penalizam bolsa de Lisboa

O banco liderado por Miguel Maya perdeu 1,87%, negociando nos 0,21 euros por ação. A retalhista liderada por Pedro Soares dos Santos desvalorizou 1,75%, para 15,15 euros e a construtora cedeu 0,67%, para 2,07 euros.

Quer vender a sua casa rapidamente? Tenha atenção a estes quatro pontos

O BCE indica que os juros dos novos créditos de habitação estão abaixo de 1% e a Housefy sustenta que este é um “período historicamente favorável” para o financiamento. Quais são os truques para vender a sua habitação?

Confrontos em Hong Hong e receios sobre a guerra comercial abalam Wall Street

Os três principais índices abriram no ‘vermelho, invertendo os ganhos ligeiros registados no fecho da sessão de ontem. Depois das palavras de Donald Trump, os investidores aguardam agora o discurso de Jerome Powell, que intervirá no Comité Económico do Congresso às 16h00 e amanhã no Comité Bancário do Senado.
Comentários