Brilhante Dias: “País precisa de capital estrangeiro, de capital privado”

O secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, apresentou esta sexta-feira o “Programa Internacionalizar 2030”, na terceira sessão da conferência da Aicep de 2020, subordinada ao tema Exportações & Investimento.

Cristina Bernardo

“O país precisa de capital estrangeiro, de capital privado, mobilizador dos nossos recursos”, declarou esta sexta feira o secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, durante a apresentação do “Programa Internacionalizar 2030”, que ocorreu na terceira sessão da conferência da Aicep de 2020, subordinada ao tema Exportações & Investimento. A abertura da conferência foi feita pela diretora do Diário de Notícias, Rosália Amorim, e incluiu, além da intervenção de Brilhante Dias, a intervenção do presidente da CIP, António Saraiva, sob o tema “O impacto da pandemia no comércio externo”.

Brilhante Dias explicou que “o ‘Programa Internacionalizar 2030’ é transversal, não é só do ministério dos Negócios Estrangeiros, nem só da Economia, nem só das Finanças”, porque “envolve um conjunto de recursos que uma única área governativa não tem condições de gerir de forma isolada, tão vasta que vai da transição digital ao turismo e à área da segurança social”, referiu o secretário de Estado. “É um programa de interface com a sociedade, com as empresas e com os empresários, um programa que é uma proposta de ação transversal do ponto de vista da ação governativa”, comentou.

“Não é o Estado que exporta, nem é o Estado que faz investimento direto no estrangeiro, por isso são as empresas, os empresários que são os atores fundamentais, que depois dão verdadeiramente corpo à concretização dos objetivos do Programa Internacionalizar 2030. Por isso não faz sentido falar de um programa do Governo. É um programa de alinhamento de atores públicos, de agentes do Governo, das áreas governativas, mas ao mesmo tempo das associações empresariais, das confederações empresariais e das empresas. É um programa que deve consensualizar metas e objetivos. Porque é a partir dessas metas que conseguimos avançar para propostas de ação que são concretas, mobilizadoras do conjunto da sociedade, dos agentes públicos e privados e que nos levam no longo prazo a atingir os objetivos pretendidos”, referiu o secretário de Estado.

Quais foram as metas fixadas no Internacionalizar 2030? “As metas identificam para onde queremos ir. Fortemente influenciado pela pandemia em torno do Covid-19. As metas estão muito ancoradas na ideia da economia e da sociedade que temos. O país tem grande escassez de capital. E é um país que, com essa escassez de capital tem grandes debilidades em conseguir investir, modernizando a sua atividade económica, e em investir para aumentar a sua capacidade, também ela exportadora”, refere Brilhante Dias.

Por isso, o secretário de Estado considera que “o país precisa de capital estrangeiro. O país precisa de capital privado, mobilizador dos nossos recursos, fundamentalmente, o talento. Este território que temos, esta terra, para poder progredir e para poder formar as melhores condições de fixar recursos humanos, gerar oportunidades e criar riqueza, porque sem criar riqueza não conseguiremos gerar oportunidades, postos de trabalho mais qualificados e, se temos esta grande restrição em torno do capital, é inevitável colocarmos a internacionalização como um elemento central não apenas da política económica, mas da política pública e da política do XXII Governo Constitucional”.

“Se temos escassez de capital, a procura externa e o investimento direto estrangeiro são cruciais para podermos ter um país melhor”, diz o secretário de Estado. Portugal precisa de “aumentar o stock de IDE – Investimento Direto Estrangeiro” e de “aumentar progressivamente o grau de abertura da economia portuguesa”, adianta, explicando que “tínhamos definido uma meta de 50% para o peso das exportações no PIB até meados da próxima década e tínhamos definido virtuosamente que o IDE captado seria um catalisador dessas próprias exportações”, defendendo que “a dinâmica virtuosa entre IDE e exportações é uma âncora fundamental da política a desenvolver e deve continua a ser essa âncora fundamental”, referiu Brilhante Dias

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