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Bruxelas faz marcha atrás e deverá adiar plano de acabar com motores de combustão

Com o apoio da Alemanha, a indústria automóvel europeia espera que a Bruxelas flexibilize a regulamentação de emissões para 2035.
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9 Dezembro 2025, 09h45

O setor automóvel europeu conhecerá esta quarta-feira o resultado da nova regulamentação que irá guiar a venda de veículos na próxima década. Segundo o Comissário Europeu para os Transportes, Apostolos Tzitzikostas, em entrevista ao jornal alemão Handelsblatt, a Comissão Europeia poderá estar prestes a recuar na proibição total dos motores de combustão interna em 2035.

A Bulgária, a Chéquia, a Alemanha, a Hungria, a Itália, a Polónia e a Eslováquia argumentam que é “imperativo” que a Comissão Europeia considere a venda de veículos híbridos após esta data, como parte da próxima revisão legislativa anunciada pelo executivo da UE.

Os sete países reconhecem a necessidade de reduzir as emissões de CO2, mas defendem que a legislação dos Estados-Membros da UE deve permitir aos governos nacionais a liberdade de escolher a melhor forma de manter a competitividade e, ao mesmo tempo, reduzir as emissões. Sob pressão, UE deve flexibilizar objetivo de acabar com motores de combustão.

Na União Europeia, os carros de passageiros e os ligeiros comerciais são responsáveis, respectivamente, por 16% e 3% do total das emissões de dióxido de carbono (CO2), o principal gás com efeito de estufa, que provoca o aumento do aquecimento global.

Também a indústria automóvel, através das suas principais associações europeias — ACEA, que reúne os fabricantes, e a CLEPA, que representa os fornecedores de componentes —, reclama há meses uma flexibilização do acordo alcançado há três anos para proibir a venda de veículos novos com motor de combustão a partir de 2035, o que implicaria interromper todas as matrículas de carros que emitam CO₂ naquele ano.

Num documento enviado à Comissão Europeia, a ACEA exigia que os combustíveis alternativos — como os biocombustíveis — fossem contabilizados como neutros em CO₂, com o objetivo de flexibilizar os requisitos que obrigarão a vender apenas veículos de zero emissões a partir de 2035.

É neste contexto que o pacote automóvel, que prevê a revisão das normas de CO₂, deverá ser adiado para permitir a apresentação de um conjunto mais amplo de medidas. Entre os temas previstos estão a renovação das frotas, simplificação regulamentar e o desenvolvimento dos chamados “kei cars” europeus. “Queremos apresentar um pacote de medidas verdadeiramente abrangente para o setor automóvel, que cubra todos os aspetos necessários”, explicou Tzitzikostas.


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