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Bruxelas trava concorrência chinesa com taxa anti-dumping de 79% na cerâmica e APICER aplaude

A nova taxa de 79% pretende neutralizar a “sobrecapacidade massiva” da indústria chinesa, que tem capacidade para inundar o mercado europeu várias vezes por ano.
10 Fevereiro 2026, 20h54

“A APICER aplaude a nova medida da Comissão Europeia, que visa proteger a indústria nacional e europeia de práticas de dumping graves e persistentes vindas da China”, anuncia a Associação Portuguesa das Indústrias de Cerâmica e de Cristalaria em comunicado.

A Comissão Europeia adotou o Regulamento de Execução (UE) 2026/274, impondo um direito anti-dumping definitivo de 79% sobre as importações de cerâmica de mesa e de cozinha originárias da China e a APICER considera que a indústria cerâmica portuguesa e europeia alcançou uma vitória estratégica na defesa do mercado único.

Com uma produção anual superior a 1,8 mil milhões de euros e garantindo mais de 22 mil postos de trabalho diretos, o setor da cerâmica de mesa lembra que é um pilar económico e social, especialmente em Portugal.

A nova taxa de 79% pretende neutralizar a “sobrecapacidade massiva” da indústria chinesa, que tem capacidade para inundar o mercado europeu várias vezes por ano.

A medida, publicada a 6 de fevereiro de 2026, surge após uma reapreciação iniciada em 2024 a pedido da Federação Europeia de Fabricantes de Louça de Mesa e Ornamentais (FEPF).

Em comunicado, a APICER – Associação Portuguesa das Indústrias de Cerâmica e de Cristalaria congratulou-se com a decisão, destacando que é essencial para restabelecer a lealdade na concorrência.

“A investigação conduzida pela Comissão Europeia confirmou que, apesar da aplicação de direitos anti-dumping desde 2013, as importações provenientes da China continuaram a ganhar quota de mercado, situação que já conduziu ao encerramento de dezenas de unidades
industriais e à perda significativa de postos de trabalho na União Europeia ao longo dos últimos anos. Foi igualmente demonstrado que a indústria chinesa dispõe de sobrecapacidades fortemente orientadas para a exportação, capazes de suprir múltiplas vezes o consumo anual europeu, bem como de práticas de dumping com margens extremamente elevadas, com exportações realizadas a preços substancialmente inferiores ao valor normal”, refere o comunicado.

“A imposição de um direito anti-dumping definitivo de 79% constitui, assim, uma medida essencial para contrariar os efeitos distorcivos destas práticas, reforçar a eficácia das medidas existentes e proteger o Mercado Único de concorrência desleal, prevenindo danos adicionais à
indústria cerâmica europeia e nacional”, conclui a associação.


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