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Cabo Verde aposta nas ‘low cost’ e quer 1,2 milhão de turistas por ano até 2026

Cabo Verde recebeu em 2019 um recorde de 819 mil turistas, mais de 40% com destino à ilha do Sal. Contudo, devido às restrições impostas pela pandemia, a procura turística recuou mais de 70% em 2020, sendo este um setor que garante cerca de 25% do PIB.
4 Junho 2021, 19h54

O Governo cabo-verdiano admite compensações a operadores aéreos para voos ‘low cost’, para garantir a retoma do turismo após a pandemia, e pretende atingir até 2026 uma procura anual de 1,2 milhão de turistas, segundo o Programa do Governo.

De acordo com o documento com as prioridades para a legislatura que agora começa, entregue ao parlamento e ao qual a Lusa teve acesso, o Governo pretende avançar com “uma política de indução positiva da procura pelo destino Cabo Verde”.

“Através de uma aposta clara no fomento da conectividade aérea do país com os principais mercados emissores, apostando no apoio/compensação a operadores aéreos de ‘charters’ e/ou ‘low cost’, com especial ênfase na fase da retoma do turismo”, lê-se no documento.

A Assembleia Nacional de Cabo Verde vai debater e votar na sessão parlamentar que se inicia em 16 de junho o Programa do Governo da nova legislatura, que culminará com a votação da necessária moção de confiança ao executivo que continua a ser liderado por Ulisses Correia e Silva.

Cabo Verde recebeu em 2019 um recorde de 819 mil turistas, mais de 40% com destino à ilha do Sal. Contudo, devido às restrições impostas pela pandemia de covid-19, a procura turística por Cabo Verde recuou mais de 70% em 2020, sendo este um setor que garante cerca de 25% do Produto Interno Bruto do país.

Para este ano, antes da pandemia, o Governo previa alcançar a meta de um milhão de turistas, mas devido às restrições provocadas pela covid-19, o país recebeu apenas cerca de 12.000 turistas no primeiro trimestre.

“O Governo propõe atingir até 2026, uma procura não inferior a 1,2 milhão de turistas, aumentar o valor acrescentado da indústria do turismo, traduzido numa maior agregação de recursos endógenos nos serviços e no produto que o país apresenta ao visitante, provenientes da agricultura, das pescas, da agroindústria, das indústrias criativas e do setor dos transportes, tendo como fim último a criação de um tecido empresarial nacional forte”, aponta o documento.

O Programa do Governo define ainda que serão criadas condições para a subida de Cabo Verde no ‘ranking’ da competitividade turística, com o objetivo de passar a integrar o grupo dos 50 países mais competitivos (88.º em 140 países em 2019) e situar-se entre os dez melhores do grupo dos Pequenos Países Insulares.

No quadro das medidas de emergência, o Governo assume o compromisso de posicionar Cabo Verde “como um destino turístico seguro do ponto de vista sanitário”, nomeadamente “com imunidade de grupo através da vacinação” contra a covid-19, mantendo o Programa de Segurança Sanitária com a atribuição de selo “BIO&SAFE” aos operadores do setor turístico e continuando a investir no Sistema Nacional de Saúde, além de “atrair investimentos privados para a melhoria da qualidade dos serviços de saúde”.

Nas metas para a legislatura, até 2026, consta ainda a materialização do Programa Operacional do Turismo, “com base num modelo de crescimento de turismo ancorado na sustentabilidade, preservação dos recursos naturais, culturais, patrimoniais e humanos do país”, enquanto “mais-valia para a construção de um produto turístico resiliente, em todas as ilhas e municípios do país, buscando uma maior diversificação e desconcentração da oferta turística”.

“O Governo acelerará a construção de um produto turístico diversificado, desconcentrado e sustentável que valorize os recursos naturais, históricos, culturais e humanos de todas as ilhas, apostando em segmentos, tais como, o turismo de natureza, sol e praia, cultural e histórico, de saúde, o turismo residencial, o turismo da saudade (dirigido à diáspora) e o turismo de eventos que maximize os proveitos junto das famílias e empresas cabo-verdianas, que contribua para a coesão territorial, preservação ambiental agregação de valor social nas suas várias dimensões, contribua para erradicação da pobreza extrema e da redução das assimetrias regionais”, lê-se ainda no documento.

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