Caixa aumentou imparidades na construção e imobiliário quando restante banca as diminuiu

Auditoria da EY aos empréstimos problemáticos concedidos pela Caixa Geral de Depósitos (CGD) durante os anos de 2000 a 2015 concluiu que a Caixa aumentou o seu nível de imparidades num momento em que o BCP, BPI e o BES/Novo Banco as diminuíam.

A Caixa Geral de Depósitos aumentou o seu nível de imparidades no setor da construção e atividades imobiliárias enre 2013 e 2015. Enquanto o banco público aumentava o nível de imparidades, outros bancos em Portugal reduziam o peso das mesmas.

Esta é uma das conclusões da auditoria da EY aos empréstimos problemáticos concedidos pela Caixa Geral de Depósitos (CGD) durante os anos de 2000 a 2015, cujo documento foi dado a conhecer neste domingo, 20 de janeiro, pela comentadora da CMTV, Joana Amaral Dias no “CM Jornal 20h”. Segundo a comentadora avançou ao JE trata-se de uma versão preliminar da auditoria que já foi entregue aos supervisores e às autoridades de investigação criminal, na eventualidade de conter indícios de práticas que possam configurar crime. Mas, assegura, não sofreu alterações relevantes face ao documento final.

A Caixa tinha um nível de 46,9% de imparidades no setor da construção e atividades imobiliárias em 2015. Este nível evoluiu para 51,1% em 2014 e para os 58,1% no ano de 2015. Simultaneamente, bancos como o BCP, BPI e BES/Novo Banco estavam a reduzir as suas imparidades.

O BCP detinha um nível de imparidades na construção e imobiliário de 26,7% em 2013. Em 2014, as imparidades passaram para 25%, para recuarem novamente em 2015 para os 13,2%.

Já o BPI passou de um nível de imparidades na construção e imobiliário de 23,7% em 2013, para os 22,3% em 2014 e 14,1% em 2015. Por último, o BES/Novo Banco viu a sua imparidades passarem de 35,8% em 2013, para os 35,3% em 2014,  até os 28,8% em 2015.

“O setor da construção e atividades imobiliárias é o setor de atividade com maior nível de imparidade face à imparidade total reconhecida pelos principais bancos portugueses na concessão de crédito às empresas. O volume das imparidades da CGD evoluiu de 46,9% em 2013, para 58,1% em 2015. Contrariamente, os restantes plaeyers apresentam uma tendência de redução das imparidades ao setor do imobiliário”, pode-se ler na  auditoria.

A auditoria da EY também analisa as imparidades noutros setores. No comércio por grosso e a retalho, as imparidades “mantiveramse estáveis ao longo dos três anos na CGD, a rondar os 9,5%”, pode-se ler. O BES/Novo Banco foi o que apresentou “os maiores níveis de imparidade no período (entre 12,3% e 13,9%) face ao total das imparidades registadas”.

Já no setor das indústrias transformadoras, a “CGD apresentou o maior peso de imparidade face aos peers [outros bancos analisados], aumentando para 14% em 2014 e reduzindo para 12,5% em 2015”.

Por último, no setor dos transportes, o “BPI apresentou o maior nível de imparidade relativa face ao total de imparidade da carteira, passando de 9,9% em 2013, para 17,0% em 2014 e 18,6% em 2015. A CGD rondou os 3% ao longo do período”.

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