Caixa BI escolhe Mota, REN, Sonae e Sonae Capital como ‘top picks’ para 2020

O banco de investimento da CGD antevê um 2020 positivo para o PSI 20, com uma subida potencial de 13% alimentada pelas pares na Europa e nos EUA e o menor risco-país de Portugal. Sobre as favoritas: a Mota-Engil vai ganhar com expansão internacional, a REN é um porto seguro, a Sonae tem vários pontos de ganhos e a Sonae Capital está exposta a muitas oportunidades.

O Caixa Banco de Investimento (BI) selecionou a Mota-Engil, a REN, a Sonae e a Sonae Capital como top picks na bolsa de Lisboa para 2020, um ano no qual vê potencial para o índice PSI 20 subir 13%, suportado pelos ganhos das ações europeias e norte-americanas e pela descida da percepção do risco soberano da República após melhorias nos rácios orçamentais e de dívida.

Numa nota de research, os analistas do Caixa BI explicam que as políticas monetárias deverão continuar expansionistas este ano e que a Reserva Federal poderá cortar novamente as taxas de juro e o Banco Central Europeu reduzir mais a taxas de depósito e aumentar o programa de compra de ativos.

Recordam que o Brexit, as incertezas que rodeiam o comércio entre a China e os Estados Unidos, a par do aumento de riscos geopolíticos, levaram a uma revisão em baixas projeções económicas para 2019 e 2020.

“As perspetivas para o desempenhos de empresas em muitos setores têm piorado”, referiram. “Ainda assim, crescimento positivo é esperado para 2019 e 2020”.

“As estimativas dos resultados das empresas portuguesas cobertas pelo Caixa BI mostram uma evolução positiva em 2020, com um crescimento projetado de cerca de 16%”, sublinharam.

Os analistas do Caixa BI adiantaram que,tendo em conta as avaliações dessas empresas, esperam “que o índice PSI 20 poderá ter um potencial positivo de 13% em 2020”, suportado também pela descida da avaliação de risco da República após melhorias dos rácios orçamentais e de dívida, que por sua vez poderão levar a melhorias nos ratings.

Mota: a rainha da construção

“A rainha portuguesa da construção com fama internacional”. É assim que os analistas do Caixa BI descrevem a Mota-Engil, adiantando que a empresa é líder na construção em Portugal, tem uma diversificação geográfica internacional alargada e está a entrar em novos territórios na América Latina e em África com margens mais elevadas.

“Acreditamos que a Mota-Engil será capaz de desalavancar o balanço nos próximos anos, beneficiando de uma robusta geração de caixa e gestão cuidadosa do Capex”, realçou a casa de investimento da Caixa Geral de Depósitos.

O Caixa BI tem uma recomendação de ‘Buy’ para a construtora, com um preço-alvo de 2,20 euros por ação, o que compara com a cotação atual de 1,807 euros.

REN: porto seguro

O Caixa BI salientou o perfil defensivo da gestora de redes elétricas,  sobre a qual tem uma recomendação de ‘Buy’ e um preço-alvo de 3,25 euros, face aos atuais 2,75 euros.

“O perfil defensivo, a visibilidade em relação aos resultados e, especialmente, uma política de dividendo muito clara, suportam a nossa visão positiva sobre a empresa”, referiram os analistas.

Alertaram, no entanto, que 2020 vai ser desafiante para a empresa liderada por Rodrigo Costa, tendo em conta a manutenção de um cenário de taxas de juro baixas e as alterações no quadro que regula o gás natural. “Salientamos, contudo, o histórico da empresa na redução de custos para compensar parcialmente a descida na remuneração dos ativos”.

Sonae: a rainha do retalho

A Sonae tem vindo a posicionar-se como uma holding, num modelo de negócio de se tornou mais complexo e perdeu alguma visibilidade após várias aquisições e novas parcerias, explicaram os analistas do Caixa BI. No entanto, ainda vêem a empresa como “a rainha do retalho alimentar em Portugal”, com marcas que têm elevado reconhecimento.

“A participação que a Sonae detém na NOS é também um fator positivo, pois trata-se da telecom que tem ganho mais quota de mercado desde 2013, com um histórico forte de geração de free cashflow e uma política de dividendo muito interesse”, sublinharam. A recomendação é de ‘Buy’, com um alvo de 1,30 euros por ação, face à cotação de 0,88 euros.

Sonae Capital: ainda muito valor escondido

As perspetivas da Sonae Capital são suportadas pelo bons desempenhos e potencial crescimento da duas unidades core – energia e fitness – que têm mostrado resultados fortes com crescimento de dois dígitos, tanto de forma orgânica como através de compras, disseram os analistas do Caixa BI.

“Adicionalmente, o negócio dos ativos de imobiliário têm muito valor escondido que poderá ser desbloqueado pelo crescimento do turismo em Portugal”, adiantaram.

“Este é um grupo com um portefólio diversificado de empresas com exposição a vários setores, o que permite explorar oportunidades diferentes e captar valor de várias fontes”, concluíram. O Caixa BI tem uma recomendação de ‘Buy’ e alvo de 1,15 euros por ação, face à cotação de 0,87 euros às 13h30 de quarta-feira.

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