Caixa não pode “descurar o rigor” nem cometer “erros” após boas notícias, diz Paulo Macedo

“Se a Caixa se mantiver competitiva, se a Caixa assegurar uma boa ‘governance’, se a Caixa mantiver um rigor de crédito e melhorar as suas práticas e cada vez tiver mais próxima do cliente, se não fizer o oposto disto, eu acho que apesar do negócio bancário estar muito difícil, e dos proveitos ‘core’ bancários preverem-se estar estagnados, a Caixa tem uma boa base para prosseguir o seu caminho”, disse o CEO da CGD.

Cristina Bernardo

O presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos, Paulo Macedo, disse esta terça-feira à Lusa, após a subida do ‘rating’ pela Moody’s, que a instituição não pode “descurar o rigor no crédito” nem cometer “erros de ‘governance’ como no passado”.

Questionado acerca do que a Caixa Geral de Depósitos (CGD) não pode fazer para evitar cometer os erros do passado, Paulo Macedo respondeu que o banco “não pode descurar o rigor no crédito”.

“Não pode ter erros de ‘governance’ como no passado, não pode deixar de ser competitiva, ou seja, tem que ver quais são os movimentos da concorrência”, acrescentou.

O gestor apontou que o banco público “hoje em dia ganha operações e perde operações por 0,01%, portanto concorre com todas as outras instituições, designadamente junto das entidades públicas que trocam a Caixa nos concursos públicos apenas por uma décima ou uma centésima, muitas das vezes”.

“Se a Caixa se mantiver competitiva, se a Caixa assegurar uma boa ‘governance’, se a Caixa mantiver um rigor de crédito e melhorar as suas práticas e cada vez tiver mais próxima do cliente, se não fizer o oposto disto, eu acho que apesar do negócio bancário estar muito difícil, e dos proveitos ‘core’ bancários preverem-se estar estagnados, a Caixa tem uma boa base para prosseguir o seu caminho”, sustentou.

Paulo Macedo reagia assim à notícia de que a Moody’s subiu o ‘rating’ de dívida sénior de longo prazo da CGD de Baa3 para Baa2 e da dívida sénior de curto prazo de P-3 para P-2, na sequência da subida do ‘rating’ da República, que passou também para Baa2.

“É uma subida importante porque primeiro houve uma subida por parte da Moody’s, há poucas semanas, na sequência da revisão de uma metodologia”, que levou a CGD para nível de investimento, referiu.

Agora, com a subida alinhada com o ‘rating’ da República, ficar no mesmo patamar “obviamente é revelador daquilo que se entende que é a solidez da Caixa”, referiu o gestor.

Paulo Macedo relevou ainda os recentes resultados dos ‘stress tests’ do Banco Central Europeu (BCE) e da Autoridade Bancária Europeia (EBA) e a emissão de obrigações sustentáveis por parte do banco público.

“Há um conjunto de notícias positivas, quer em termos de solidez, como é a subida do ‘rating’, quer em termos de inovação, como foi o facto da primeira obrigação sustentável por uma instituição financeira portuguesa, quer em termos de resultados e da presença da Caixa”, assinalou.

O gestor apontou agora ao crescimento junto das pequenas e médias empresas (PME), e voltou a referir o objetivo de “devolver o dinheiro aos contribuintes” depois da recapitalização pública concluída em 2017.

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