Carlos Tavares será CEO do gigante Stellantis até 2026

O gestor português Carlos Tavares realizou esta terça-feira, 19 de janeiro de 2021, em direto para o mundo, a sua primeira conferência de imprensa como CEO do novo gigante automóvel Stellantis – o quarto maior a nível mundial -, que resulta da fusão dos grupos PSA – Peugeot-Citroën e FCA – Fiat-Chrysler Automobiles, e que emprega mais de 400 mil trabalhadores.

O gestor português Carlos Tavares assegura a presidência executiva (CEO) do quarto maior grupo automóvel a nível mundial, a Stellantis, que controla os grupos francês PSA – Peugeot-Citroën e italo-americano FCA – Fiat-Chrysler Automobiles, com um mandato inicial de cinco anos – até 2026. Na conferência de imprensa que Carlos Tavares realizou esta terça-feira, 19 de janeiro de 2021, e que marca do “dia 1” da Stellantis, o CEO do novo grupo automóvel recordou que o processo de fusão dos dois grupos implicou um trabalho corporizado em mais de 12.500 páginas, tendo respeitado completamente os prazos que tinham sido fixados. O novo grupo automóvel que está “presente em 130 países, com atividades industriais em 30 países e é líder de mercado em três regiões”, “não registou um único atraso no prazo de fusão, apresentando-se aos mercados desde 16 de janeiro de 2021”, adiantou o CEO que lidera um universo industrial onde trabalham mais de 400 mil pessoas.

As sinergias do novo grupo, que fabrica 8,7 milhões de veículos por ano, são quantificadas em 5 mil milhões de euros, cabendo 40% destas sinergias aos negócios decorrentes da poupança obtida com os veículos fabricados através da utilização de duas plataformas – uma para pequenos veículos e outra para viaturas compactas e médias, destinadas a produzir três milhões de viaturas por ano com cada uma destas plataformas – e mais 40% em sinergias obtidas nas compras conjuntas para as 14 marcas do novo grupo. O marketing, as áreas de IT e digital, as despesas gerais e administrativas e a logística serão responsáveis por 20% das sinergias.

A Stellantis tem sede na Holanda, sendo cotada no Euronext (Paris), na Borsa Italiana (Milão) e no New York Stock Exchange, contando com uma forte presença em França, Itália e nos EUA. Segundo a agência Reuters, o CEO da Fiat, Mike Manley, também fez uma avaliação semelhante das sinergias, pois considera que 40% das sinergias decorrentes desta fusão serão provenientes da convergência de plataformas e motores e da otimização de investimentos em investigação e desenvolvimento, 35% da poupança está nas compras e 7% da poupança nas operações de vendas.

O novo grupo já admitiu que as estimativas de sinergias não pressupõem encerramentos de fábricas, prevendo que as sinergias da Stellantis tenham um net cash flow positivo a partir do “Ano 1” e que aproximadamente 80% das sinergias sejam alcançadas até ao “Ano 4”. O grupo admitiu igualmente que o custo total único para se alcançarem as sinergias é de 2,8 mil milhões de euros.

A Stellantis tem um Conselho de Administração de 11 membros, a maioria dos quais independentes. Cinco são nomeados pela FCA e pelo seu acionista de referência, o que entrega a John Elkann o cargo de Chairman. Outros cinco são nomeados pelo Grupo PSA, incluindo o Vice-Presidente e o Diretor Principal Não-Executivo).

A Stellantis terá uma presença global, cobrindo todos os principais segmentos de mercado, desde veículos de luxo, premium e automóveis de passageiros mainstream, passando por SUV, pesados e veículos comerciais ligeiros. Conta com a robustez da FCA na América do Norte e na América Latina e com uma posição sólida da PSA na Europa. Perto de 46% das suas receitas serão oriundas da Europa e 43% da América do Norte, segundo dados agregados de 2018 relativos a cada empresa.

A FCA – Fiat-Chrysler Automobiles fabrica e comercializa as marcas Abarth, Alfa Romeo, Chrysler, Dodge, Fiat, Fiat Professional, Jeep, Lancia, Ram e Maserati. Também comercializa peças e serviços sob a marca Mopar e opera nos setores dos componentes e de sistemas de produção sob as marcas Comau e Teksid, empregando perto de 200.000 pessoas em todo o mundo.

O Grupo PSA – Peugeot-Citroën emprega 210.000 pessoas, tem cinco marcas automóveis – Peugeot, Citroën, DS, Opel e Vauxhall  – e propõe serviços conectados e de mobilidade através da sua marca “Free2Move”, sendo um dos pioneiros na área dos carros autónomos e conectados. Mantém atividades no financiamento automóvel, através do Banque PSA Finance, e no segmento dos equipamentos para automóveis, através da Faurecia.

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