Cascais: mais de 150 milhões para habitação a preços controlados e residências universitárias

Pelo menos 132 milhões para habitação a preços acessíveis para famílias de classe média, jovens e profissionais deslocados. E mais de 18 milhões para residências universitárias.

É este o valor total do pacote de investimento que a Câmara Municipal de Cascais vai fazer nos próximos seis anos, até 2025, fechada que está a discussão sobre o novo “Plano Social de Habitação”. “A Habitação Social tem sido historicamente muito importante em Portugal a cumprir uma função de descontinuidade de pobreza. Mas temos agora novos desafios com uma classe média que, por diversas pressões sobre os grandes centros urbanos, não consegue ter habitação a preços sustentáveis. É para essas famílias e jovens que estamos a trabalhar e a criar respostas”, diz o presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, ao Jornal Económico.

Para o líder da autarquia (PSD-CDS), é preciso repensar o conceito de habitação social e alarga-lo. “A habitação social dá resposta a problemas de pobreza, é um tipo de desafio. Mas a função social de habitação é coisa diferente, responde a outro tipo de desafios: como fazer o melhor uso do espaço público? Como criar, a partir da habitação, condições para a promoção da natalidade? Como contrariar a bolha imobiliária e permitir que os jovens e as famílias se emancipem e cumpram os seus projetos de felicidade? Como podemos transportar os princípios da economia circular e da partilha para o mercado da habitação? É para estas perguntas que estamos a criar respostas.”

Nos próximos anos a Câmara de Cascais vai criar mais de 1300 fogos de habitação a preços acessíveis entre regeneração de devolutos e novas construções. Os primeiros projetos já são conhecidos: O Bairro Marechal Carmona, no centro de Cascais, é um bairro social de primeira geração que vai sofrer obras profundas. Aos antigos moradores vão juntar-se novas famílias de classe média, jovens universitários e profissionais deslocados, como, por exemplo, professores. O co-living e as residências assistidas também são resposta às pressões imobiliárias e ao isolamento social de determinados segmentos da sociedade.

Outro projeto conhecido esta semana, na Quinta da Bela Vista, em Carcavelos, prevê 100 novos fogos a preços controlados. Oitenta dos quais  para jovens e famílias de classe média. Os outros 20 para residências universitárias. Ao todo são 18 milhões de euros que a autarquia vai investir em 400 residências universitárias no eixo Carcavelos-Cascais.

O “Plano Social de Habitação” prevê também resposta para os cidadãos com deficiência. Carlos Carreiras explica: “O ciclo natural da vida cria muita ansiedade nos pais de cidadãos com deficiência. Preocupa-os quem, um dia, cuidará dos seus filhos. Queremos dar apoio a essas famílias e a esses nossos cidadãos excecionais com residências especiais.”

Já este mês serão inauguradas duas residências para cidadãos com deficiência, as Residências Assistidas da CERCICA e o LAR do CRID. Um total de 100 camas e que representam um investimento de 3,75 milhões de euros da autarquia. “Qualquer euro investido num concelho mais coeso e mais justo é um euro bem gasto”, conclui Carlos Carreiras.

Valores de arrendamento e de compra muito elevados

Segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), o valor do arrendamento em Cascais é de 10,23 euros por metro quadrado, enquanto o valor para a compra de habitação situa-se em 2389 euros por metro quadrado. Em ambos os casos são os segundos mais altos do País.

Para Maria Empis, Head of Research da consultora JLL, existem uma série de motivos para serem praticados estes valores: o estilo de vida que proporciona, o facto de a maior parte dos colégios internacionais estarem na linha e também a presença de grandes empresas internacionais. “Esta zona atrai muitos CEO e altos cargos de empresas estrangeiras que se deslocam para Portugal, por estes motivos acima mencionados. Quando decidem mudar-se procuram saber onde ficam as empresas e onde estão as escolas e naturalmente querem ficar próximos – aliado também ao lifestyle que proporciona. Os nacionais que estão em Cascais normalmente é por uma questão de tradição – ora já tinham lá família – ou alguma relação com a zona – ou porque não querem estar no centro de Lisboa”, explica ao Jornal Económico.

“Tradicionalmente um mercado com forte atractividade quer sobre nacionais quer sobre estrangeiros, Cascais tem sido alvo de uma procura crescente por parte de clientes que aí querem residir (compra/arrendamento).  Com uma forte componente de lifestyle, Cascais e Estoril têm desde há muito atraído como o alvo principal, um perfil de clientes do segmento médio alto e alto. Embora aqui tenham nascido vários novos projectos residenciais nos últimos anos, a procura tem ultrapassado em grande escala a oferta disponível o que faz com que os preços se tornem cada vez mais competitivos.  Este crescimento na procura deve-se principalmente ao aumento de clientes de nacionalidade estrangeira, fomentado pelo programa residente não habitual que escolhem Portugal e esta zona em particular para viver quer seja devido à proximidade ao mar, à acessibilidade a Lisboa ou ao elevado numero de escolas nacionais e internacionais disponíveis nesta região”, diz Patrícia Clímaco, partner da Castelhana ao Jornal Económico.

 

 

 

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