Catástrofes naturais levam 351 milhões às seguradoras

Incêdios de outubro de 2017 e tempestade Leslie foram os eventos naturais extremos que mais custaram às seguradoras em indemnizações.

As catástrofes naturais e os desastres provocados pelo homem provocaram perdas económicas de 155 mil milhões de dólares (139 mil milhões de euros) em todo o mundo em 2018. Deste montante, os seguros cobriram 76 mil milhões de dólares (68 mil milhões de euros) em todo o mundo dessas perdas, de acordo com o relatório mais recente da Swiss Re.

Em Portugal, o valor fixa-se nos 351,3 milhões de euros em indemnizações pagas pelas seguradoras entre 2017 e 2018.
De acordo com os dados avançados pela Associação Portuguesa de Seguradoras (APS) ao Jornal Económico, só nesse período foram reportados 190.578 sinistros cobertos por apólices de seguros, sendo que desse número, 159.766 foram sinistros relacionados com danos à habitação o que corresponde a um valor agregado de 46,7 milhões de euros.

Face a estes valores José Galamba Oliveira, presidente da APS sublinha o compromisso que as seguradoras assumem no combate às alterações climáticas, o grande impulsionador destes eventos. “Se estamos preocupados? Sem dúvida, na medida em que podem originar catástrofes naturais responsáveis por avultadas perdas humanas e económicas”, explica, acrescentando que os incêndios, tempestades e inundações são as principais causa de perdas pelas seguradoras.

Em outubro de 2017, na sequência dos grandes incêndios florestais foram apurados 200 milhões de euros em indemnizações dos seguros, num total de 4.636 sinistros. As habitações registaram o maior número de sinistros reportados, ascendendo 3 mil ocorrências e acumulando 2,1 milhões em indemnizações.

De acordo com a APS, esse é o valor mais elevado registado nos últimos dois anos superando de longe os estragos causados pelos incêndios de Pedrógão Grande, Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos que juntos acumulam um total de 21 milhões de indemnizações pagas e 543 sinistros.

A tempestade Leslie, que provocou 28 feridos ligeiros, 61 desalojados e quase 2 mil ocorrências comunicadas à Proteção Civil, custou às seguradoras 100,7 milhões de euros em indemnizações. As habitações foram, mais uma vez, as mais afetadas reportando mais de 31 mil sinistros entre 12 a 14 de outubro de 2018.

As seguradoras portuguesas não são todavia as mais afetadas por eventos extremos naturais. Em 2018, os custos para seguradoras com as catástrofes naturais foram de 76 mil milhões de dólares, o quarto valor mais elevado nos 50 anos desde que a Swiss Re Institute faz o balanço anual de perdas das seguradoras. Os custos com as catástrofes naturais em 2017 e 2018 foram de 219 mil milhões, o maior valor de sempre para um período de dois anos. Mas as perdas económicas são superiores. Em 2018, as perdas económicas foram de 155 mil milhões de dólares, inferiores às de 2017, que foram de 330 mil milhões de dólares, quase o dobro dos 188 mil milhões de dólares de 2016. Nos últimos 10 anos, a média anual foi de 190 mil milhões.

Como se lê no artigo “Between Climate Change and Human Intervention”, publicado no site da seguradora italiana Generali, “o impacto dos desastres naturais, que afligem o planeta nos últimos vinte anos, atingiu mais de 5,4 mil milhões de pessoas, causou mais de 1,7 milhão de vítimas e 2,9 biliões de dólares em danos”.

Para contribuir para uma resposta nacional para estes eventos, a APS apresentou ao Governo uma proposta de Sistema de Proteção de Riscos Catastróficos (SPRC), um mecanismo assente em dois eixos: um orientado para o risco sísmico e um segundo, orientado para outro tipo de catástrofes como grandes incêndios ou inundações, “duas realidades muito diferentes que devem ser tratadas de forma distinta”, sublinha o presidente da APS. Com esta iniciativa, em caso da ocorrência de um sismo de elevada escala, o Estado poderá forcar-se na recuperação dos bens coletivos como hospitais e escolas, cabendo às seguradoras a recuperação dos bens privados, através de uma resposta previamente estruturada”.

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