Católica revê em ligeira alta crescimento da economia para 2,3% em 2019

Revisão em alta da Católica para o próximo ano é explicada com “a continuação da recuperação económica” em 2018 e com a postura orçamental “expansionista” do Governo para 2019.

Aly Song/Reuters

O núcleo de economistas da Universidade Católica reviu hoje em alta a estimativa de crescimento da economia portuguesa para o próximo ano, dos anteriores 2,2% para 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB).

A previsão do Núcleo de Estudos de Conjuntura da Economia Portuguesa (NECEP) da Católica para 2019 está em linha com a estimativa do Governo inscrita no Programa de Estabilidade 2018-2022 apresentado em abril, de 2,3% do PIB. Porém segundo o PAN, o primeiro partido político a reunir-se na terça-feira com o Governo sobre o Orçamento do Estado, o executivo prevê agora um crescimento da economia de 2,2% para 2019.

A revisão em alta da Católica para o próximo ano é explicada com “a continuação da recuperação económica” em 2018 e com a postura orçamental “expansionista” do Governo para 2019, adianta o Núcleo de Estudos de Conjuntura da Economia Portuguesa (NECEP) da Católica na folha trimestral de conjuntura.

“De acordo com declarações públicas dos membros do Governo sobre o Orçamento do Estado para 2019, é de esperar que a postura orçamental seja expansionista, o que combinado com a continuação da recuperação económica este ano justifica a revisão em ligeira alta (+0,1 pontos percentuais) da previsão do NECEP para 2019, de 2,2% para 2,3%”, lê-se na nota.

O NECEP reviu igualmente em alta a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2020, de 2% para 2,1% “motivada apenas pela melhoria do crescimento tendencial da economia portuguesa”.

Para 2018, os economistas da Católica mantêm a estimativa de crescimento do PIB em 2,4%, ligeiramente acima das previsões do Governo que prevê um avanço de 2,3%.

O NECEP estima que, no terceiro trimestre de 2018, o PIB tenha crescido 0,6% face ao trimestre anterior e 2,4% em relação ao mesmo período do ano passado.

“Os dados de alta frequência sugerem que o investimento poderá recuperar de forma mais expressiva no terceiro trimestre, com o consumo privado a ter um crescimento semelhante ao do PIB”, justifica o NECEP.

Por sua vez, as exportações “deverão manter uma saudável recuperação em termos homólogos, mesmo que isso possa significar um soluço na variação em cadeia”, continuam os economistas.

Por sua vez, o crescimento da economia no médio prazo está “condicionado” devido ao “elevado endividamento público e privado” e à taxa de desemprego que deverá ficar entre 6% e 7%.

Sobre o défice orçamental, os economistas continuam a prever que fique próximo dos 0,9% do PIB em 2018, na ausência de medidas adicionais, ficando assim acima da meta do Governo (0,7% do PIB).

O NECEP fala em “riscos oriundos do setor financeiro e das empresas públicas que podem obrigar a medidas pontuais de capitalização com uma dimensão apreciável, não apenas na execução deste ano, mas também na do próximo”.

“Porém, o Governo dispõe dos instrumentos necessários para cumprir as metas do défice se assim o entender”, concluem os economistas da Católica.

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