CDS-PP diz que relatório de Tancos “oculta responsabilidades” do Governo

Os democratas-cristãos defendem que o documento apresentado pelo socialista Ricardo Bexiga é “omisso e incompleto” e procura fazer recair a responsabilidade apenas sobre os militares.

O CDS-PP considera que o relatório preliminar da Comissão de Inquérito ao caso de Tancos tenta “ocultar as responsabilidade políticas” do ex-ministro da Defesa, Azeredo Lopes, e do primeiro-ministro, António Costa. Os democratas-cristãos defendem que o documento apresentado pelo socialista Ricardo Bexiga é “omisso e incompleto” e procura fazer recair a responsabilidade apenas sobre os militares.

“O relatório apresentado pelo redator e deputado do Partido Socialista (PS) é um documento substancialmente omisso e incompleto na análise e descrição dos factos apurados pela CPI”, lê-se na proposta de alteração ao documento a que o Jornal Económico teve acesso e que vão ser apresentadas pelo CDS-PP esta quarta-feira na Assembleia da República.

A bancada parlamentar liderada por Nuno Magalhães indica que o relatório da comissão, que foi proposta pelo CDS-PP para “identificar e avaliar os factos, os atos e as omissões do XXI Governo Constitucional relacionadas direta ou indiretamente com o furto de armas em Tancos”, procura “ocultar as responsabilidades políticas” do atual Executivo, em especial de Azeredo Lopes, que estava na altura com a pasta da Defesa Nacional, e António Costa.

“As únicas responsabilidades que são admitidas pelo deputado redator ao nível do poder político são apresentadas de forma difusa e intencionalmente repartidas por vários anos e por vários governos, nomeadamente no que respeita à falta de investimento nas infraestruturas militares, matéria que ocupou a primeira fase dos trabalhos da CPI, e que é no essencial consensualmente aceite”, indicam.

Os democratas-cristãos acusam ainda o redator Ricardo Bexiga de “uma inaceitável parcialidade” no que toca à avaliação do papel desempenhado pela hierarquia militar no furto, “procurando ocultar contradições e os erros de avaliação do general Rovisco Duarte [ex-chefe de Estado-Maior do Exército]”.

O CDS-PP considera que o relatório, a fim de encobrir responsabilidades políticas, “procura fazer recair toda a responsabilidade unicamente sobre a esfera militar”, ao evidenciar “uma avaliação negativa do papel dos militares daquele ramo, desde as patentes mais baixas às mais elevadas, acabando por denegrir toda a estrutura do Exército português”.

O grupo parlamentar centrista questiona ainda como é que o relator deu “todo o crédito” ao general Rovisco Duarte, quando este apresentou três versões diferentes para justificar a sua demissão do cargo. “Essa opção do relator é tanto mais censurável, quanto aceitou acriticamente acusações feitas pelo general Rovisco Duarte relativamente a matéria que se encontra além do objeto deste Inquérito Parlamentar, sem que fosse assegurado o contraditório”, explicam.

Quanto à alegada ação ilegal da Polícia Judiciária Militar (PJM), o CDS-PP considera que “é absolutamente falso” que o documento entregue na comissão e que prova a ilegalidade seja “apócrifo” e “não oficial”. “O documento descreve com pormenor suficiente a encenação realizada pela PJM”.

Os partidos tinham até esta terça-feira, dia 11, para apresentarem propostas de alteração à versão preliminar apresentada por Ricardo Bexiga, no final de maio.

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