Cellnex concluiu novo aumento de capital com procura histórica de 319 mil milhões de euros

Desde março de 2019 que a empresa de telecomunicações espanhola já realizou quatro aumentos de capital, o que perfaz um total de 14,7 mil milhões de euros levantados no mercado. Esta última operação destina-se a financiar projetos de investimento até 2022.

Nuno Carvalhosa, administrador-delegado da Cellnex Portugal

A Cellnex Telecom concluiu o aumento de capital de sete mil milhões de euros, com uma procura histórica de 319 mil milhões de euros, de acordo com o reportado esta quinta-feira à Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV, homóloga espanhola da CMVM). Esta ida ao mercado superou o aumento de capital de quatro mil milhões de euros, em agosto de 2020.

“A soma das ações subscritas no período de subscrição preferencial somadas ao número de ações adicionais solicitadas no referido período representam uma procura que excedeu o número de títulos oferecidos no aumento de capital em 45,6 vezes”, lê-se no comunicado do grupo espanhol, que opera em Portugal desde 2019.

A operação consistiu na subscrição de cerca de 193 milhões de novas ações ordinárias, o equivalente a 40% dos títulos agora em circulação da Cellnex, com um valor de subscrição de 36,33 euros cada. O valor de subscrição teve um desconto de cerca de 17% sobre o TERP (theorethical ex-rights price) – preço de mercado que uma ação terá teoricamente após uma nova emissão de direitos -, tendo como referência o valor de cotação no dia 29 de março (46,68 euros).

Segundo o comunicado da CNMV, os 192,6 milhões de novos títulos da Cellnex vão ser emitidos a partir do dia 27 de abril. A partir da próxima semana, a terá um total de 679,3 milhões de títulos no mercado, tornando-se na quarta empresa mais valiosa da bolsa espanhola, com um valor de mercado de cerca de 32 mil milhões de euros. De acordo com o “Cinco Días”, só é superada pela têxtil Inditex (88,9 mil milhões), pela energética Iberdrola (70,2 mil milhões) e pelo banco Santander (49 mil milhões de euros).

Este foi o quarto aumento de capital que a Cellnex concretiza, desde março de 2019. Desta vez, a telecom sido assessorada pelo JP Morgan, Barclays, Goldman Sachs e BNP Paribas

Feitas as contas, o operador grossista de torres de telecomunicações já foi buscar ao mercado 14,7 mil milhões de euros. Mas, ao contrário do que aconteceu noutras idas ao mercado, há uma alteração nas posições acionistas. A família Benetton, até agora maior acionista com 13,5%, reduziu a sua posição para 8,5%, depois de vender 2,5% ao fundo soberano de Singapura. Desta forma, o fundo soberano de Singapura passa a ser o maior acionista com 9,23% do capital. Seguem-se o fundo de investimento ADIA, dos Emirados Árabes Unidos, com 7% e o fundo Criteria (ligado à catalã La Caixa) com cerca de 5%. Segundo o “Cinco Días”, é provável que apareçam novos acionistas com participações superiores a 3%.

O aumento de capital permitirá financiar projetos num valor total de 18 mil milhões de euros, até 2022. Dessa verba, nove mil milhões já estão destinados às aquisições anunciadas Polkomtel Infrastruktura, na Polónia, da Hivory, em França, e à incorporação das torres da Deutsche Telekom, na Holanda.

Em Portugal, onde a empresa é liderada por Nuno Carvalhosa, a Cellnex avançou para a compra de 65 torres de telecomunicações da Oni.

A Cellnex Telecom tem planos para expandir a carteira de ativos até 2030, num valor próximo dos 36,5 mil milhões de euros, nos 12 países europeus em que opera. O objetivo passará por fechar 2030 com um portefólio de 117 mil infraestruturas de telecomunicações (entre torres e antenas de telecomunicações).

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