Centeno: “A ideia de que as garantias de Estado podem ser as PPP do futuro deve ser tida em conta”

O responsável do supervisor bancário insistiu na ideia de que “os apoios do Estado que perdurem no tempo levam a perdas para o Estado que perduram no tempo”, pelo que sustentou que as garantias de Estado “devem ser preservadas” para que no futuro o Estado mantenha espaço para intervir.

Cautela com as garantias públicas com vista a manter a capacidade de intervenção futura do Estado. Foi este o aviso do governador do Banco de Portugal (BdP), Mário Centeno, numa altura em que o Governo trabalha o quadro de transição para a generalidade das empresas enfrentarem o fim do regime das moratórias, reiterando a necessidade de manter os apoios “temporários” e “focados” – um repto que tem insistido nos últimos meses.

“A ideia de que as garantias de Estado podem ser as PPP [Parcerias Público-Privadas] do futuro deve ser tida em conta”, disse esta quarta-feira na sessão de apresentação do “Boletim Económico de junho”, no Museu do Dinheiro, em Lisboa.

O responsável do supervisor bancário insistiu na ideia de que “os apoios do Estado que perdurem no tempo levam a perdas para o Estado que perduram no tempo”, pelo que sustentou que “há questões importantes de política, como as garantias de Estado, que de tão importantes que são, devem ser preservadas para que no futuro o Estado possa dispor também essas medidas”.

Para o antigo ministro das Finanças, é este cuidado que irá permitir ao Estado manter a “preservação da capacidade” de “intervir no futuro”, numa “lógica de eficácia”.

“No caso das moratórias temos a mesma cautela, mas também a mesma confiança que temos tido até aqui”, acrescentou o governador do BdP, salientando que o “apoio deve ser focado, deve ser temporário para permitir que as empresas continuem a tomar decisões, também de capitalização e do reforço da sua situação financeira”.

Para Mário Centeno, “ao Estado compete deste ponto de vista garantir que há um mecanismo de transição para as empresas em setores que ainda estejam deprimidos face ao período anterior da crise”, sustentando que se “convoque” também as empresas para o “reforço dos seus capitais”.

“Não se pode pedir ao Estado que faça apenas e que as empresas não tenham também esse contributo”, argumentou.

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