Centeno: BCE avalia alargamento do programa de compra de ativos

Governador do Banco de Portugal defendeu que as medidas adotadas pelos países, mas também pelas instituições europeias “continuam a ser essenciais para apoiar o acesso ao financiamento”.

Cristina Bernardo

O governador do Banco de Portugal (BdP), Mário Centeno, disse que o Banco Central Europeu (BCE) poderá alargar o programa de compra de ativos (PEEP) quando reunir em dezembro, na sequência da recalibração das medidas adotadas pela instituição liderada por Christine Lagarde para fazer face à pandemia.

“Em dezembro, o Conselho do BCE reavaliará as perspetivas económicas e o balanço de riscos com base nos quais recalibrará os seus instrumentos para assegurar que as condições de financiamento permanecem favoráveis para apoiar a recuperação económica e neutralizar o impacto negativo da pandemia na trajetória de inflação”, afirmou o governador que integra o Conselho de Governadores dos bancos centrais da zona euro, durante uma intervenção esta quinta-feira, na Conferência anual da Ordem dos Economistas, em Lisboa.

Mário Centeno sublinhou que as medidas adotadas pelos países, mas também pelas instituições europeias “continuam a ser essenciais para apoiar o acesso ao financiamento”, referindo que “estas medidas incluem a possível expansão do PEPP, com a flexibilidade que foi introduzida na primavera, e que tem demostrado excelentes resultados”.

“As medidas de proteção do sistema bancários serão também consideradas. Tudo isto é feito com o objetivo de preservar a transmissão da política monetária, em particular num cenário de restrições nas políticas de crédito”, acrescentou o responsável pelo regulador bancário.

O alargamento do PEEP ou do Programa de Compra de ativos (APP) pelo BCE tem sido uma das medidas mais discutidas pelos analistas como uma das possíveis ações do BCE ainda este ano, tendo a presidente do BCE na última reunião sinalizado que os ajustamentos das medidas seriam decididas em dezembro. Christine Lagarde explicou o que se deve entender pela conjugação das palavras “instrumentos” e “recalibrar”.

“Quando dizemos que vamos recalibrar os instrumentos, queremos dizer que são todos os instrumentos e não apenas o PEPP. E recalibrar significa que vamos identificar quais são melhores as formas de usar [os instrumentos], se um ou se vários, e claramente aumentar, estender, trabalhar na duração, no volume e na atratividade dos instrumentos. Faremos tudo isso”, vincou a presidente do banco central, tendo dado indícios de que a sua configuração poderá alterar-se em dezembro. “O PEPP tem uma dimensão muito específica, que queremos manter, e tem uma flexibilidade que se aplica a três dimensões: à classe de ativos, à sua duração e às jurisdições [origem dos ativos comprados]. Todas estas dimensões serão analisadas” no processo de recalibragem, explicou a presidente do BCE.

“Estou confiante que a condução da política económica na Europa se encontra num novo patamar de coerência e prontidão, e que a evolução orçamental, com a criação de instrumentos orçamentais verdadeiramente europeus, será o prenúncio de uma nova realidade institucional que se iniciou a construir em 2019 com a aprovação do primeiro orçamento para a área do euro”, vincou ainda Centeno, sublinhando que “a ação dos bancos centrais deverá continuar a mostrar toda a disponibilidade, flexibilidade e rapidez de atuação a que assistimos até aqui”.

BCE promete recalibragem anti-crise em dezembro

Ler mais

Recomendadas

Ferro Rodrigues destaca papel dos parlamentos na recuperação europeia

O presidente da Assembleia da República destacou esta sexta-feira a urgência de pôr em marcha o Fundo de Recuperação europeu e realçou o papel dos parlamentos dos Estados-membros para a que verbas sejam desbloqueadas.

“É quase inevitável que o crédito malparado começe a aumentar novamente”, diz Dombrovskis

Vice-presidente da Comissão Europeia realça que o malparado diminuiu na banca portuguesa nos últimos anos. No entanto, admite que a crise provocada pela pandemia se irá traduzir num aumento quase “inevitável” do crédito malparado, destacando por isso o Plano de Ação de Bruxelas para combater os créditos improdutivos.

Recuperação da economia portuguesa não acompanhará ritmo da europeia

A recuperação da economia portuguesa após a crise pandémica “deverá acompanhar apenas temporalmente a recuperação europeia, mas não o seu ritmo”, segundo o relatório trimestral da consultora SaeR (Sociedade de Avaliação de Estratégia e Risco) divulgado esta sexta-feira.
Comentários