Centeno responde aos sindicatos: “Quem jogou com os números, quem acabou por pagar foram os portugueses”

Depois do anúncio da greve geral da Fundação Pública marcada para dia 31, o ministro das Finanças disse que “a negociação está sempre aberta”, mas que existe “um reforço muito significativo” das despesas com pessoal na Administração Pública.

Cristina Bernardo

O ministro das Finanças, Mário Centeno, disse esta quarta-feira que a negociação “está sempre aberta” e defendeu que existe um reforço “muito significativo” da despesas com os salários da Administração Pública, em reação ao anúncio de uma greve nacional da função pública para dia 31 contra a proposta de Orçamento do Estado para 2020 (OE2020).

“A negociação está sempre aberta e ao longo de todos os meses e anos da anterior legislatura houve negociação sindical sobre varíadissimas matérias”, disse Mário Centeno, em declarações aos jornalistas, à margem da conferência anual da Ordem dos Economistas sobre o OE2020, em Lisboa.

Esta terça-feira, a Federação de Sindicatos da Administração Pública (Fesap) anunciou uma greve nacional para dia 31 de janeiro, que coincide com o dia da manifestação nacional marcada pela estrutura da CGTP, a Frente Comum, e com a greve de professores convocada pela Federação Nacional dos Professores (Fenprof).

O ministro das Finanças destacou que “há um reforço muito significativo daquilo que são as despesas com pessoal na Administração Pública. É um crescimento da despesa de 3,6%” e que o salário médio na Administração Pública vai aumentar no ano que vem 3,2%.

“Temos que ter muito bem presentes os números. Normalmente em Portugal quem jogou com os números, quem acabou por pagar foram os portugueses porque acabou sempre por a fatura aparecer ou para uma geração ou para as vindouras. Queremos com transparência, mas com os números certos em cima da mesa se tenha essa discussão”, realçou.

O ministro da tutela disse ainda que entre os “esforços muito significativos” que o Governo tem feito é “o cumprimento e reforço do cumprimento da lei de finanças locais em que há aumento de transferência para as autarquias de 261 milhões de euros. São mais 9,6% de aumento de transferência”.

“É um esforço colectivo. Todos temos que perceber que estamos a gerir recursos que são de todos”, concluiu.

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