O Ministério da Reforma do Estado considera que o plano nacional para os centros de dados, que foi aprovado esta quinta-feira, 19, afirma a “capacidade computacional como um ativo estratégico central para reforçar a soberania digital e impulsionar a competitividade económica de Portugal”.
A inteligência artificial (IA) tem impulsionado a procura global por centros de dados, com taxas na ordem dos “20% ao ano”. Em Portugal, “o crescimento estimado é ainda mãos expressivo, atingindo cerca de 41% ao ano”, refere em comunicado o Ministério.
“Trata-se, contudo, de uma janela de oportunidade limitada, que exige uma resposta célere e coordenada”, lê-se em comunicado.
O plano define 15 iniciativas a implementar entre este ano e o próximo, que se organizam em quatro eixos principais, regulação e governação, energia e infraestrutura, procura e posicionamento e território e ecossistema.
O ministro Gonçalo Saraiva Matias afirma que “Portugal não pode desperdiçar esta oportunidade mas garante que os interesses estratégicos do país são acautelados e que os investimentos acrescentam valor à economia nacional”, para o ministro refere ainda a importância da descentralização como reforço para a economia nacional.
Contudo, este plano levanta algumas questões, se os centros de dados não correm o risco de ficar obsoletos perante a rápida evolução da tecnologia e da IA. “Não. Embora os equipamentos informáticos evoluam rapidamente, os centros de dados são infraestruturas concebidas para acomodar sucessivas gerações de tecnologia”.
“As principais empresas tecnológicas globais estão a investir de forma massiva nestas infraestruturas, refletindo a sua relevância estrutural. Mais do que isso, os centros de dados são essenciais para sustentar a economia digital e reforçar a soberania tecnológica: sem capacidade própria, Portugal torna-se dependente de infraestruturas externas e perde competitividade nas novas cadeias de valor”.
Outra das questões levantadas tem a ver com a sustentabilidade, e se com o crescimento dos centros de dados o país consegue cumprir os objetivos ambientais. Para o Ministério, este crescimento está “sempre sujeito ao cumprimento de todos os requisitos legais aplicáveis, incluindo os ambientais, energéticos e territoriais. Na execução das medidas previstas, serão envolvidas as entidades competentes”. “Importa também sublinhar que existem hoje soluções tecnológicas que permitem mitigar significativamente os impactos ambientais destas infraestruturas”.
Os centros de dados vão levar a uma maior procura elétrica, o que pode leva à pergunta se pode haver aumento de preços ou especulação. “Não — e é precisamente isso que o modelo em curso procura evitar. Por um lado, a nova procura está a ser acompanhada por um reforço planeado da rede elétrica, garantindo que os projetos só avançam onde existe capacidade ou onde essa capacidade está prevista. Adicionalmente, foi criado um regime específico, designado por procedimento excecional de atribuição de capacidade de ligação à rede, que assegura uma gestão rigorosa e equilibrada dos pedidos de ligação à rede, evitando situações de especulação e equilibrando o risco a assumir pelos privados e pelo setor público”.
Mas qual é o principal benefício económico para o país dos centros de dados? “Os centros de dados são hoje infraestruturas estratégicas para a competitividade económica e para a soberania digital, pois suportam a economia digital e ajudam a reduzir a dependência de infraestruturas críticas localizadas no estrangeiro”. De acordo com o estudo que suporta o plano, é estimado que por cada “gigawatt (GW) adicional de capacidade instalada poderá gerar cerca de oito mil milhões de euros de impacto no PIB associados ao CAPEX durante os primeiros 5 anos e cerca de 16 mil milhões euros resultantes da operação anual recorrente (5- 6% do PIB em 2025)”.
Através deste plano, o Governo assegura que o setor “se desenvolve sempre com o cumprimento rigoroso dos requisitos técnicos, legais, ambientais e territoriais. O plano procura, por exemplo, integrar critérios de eficiência energética e mecanismos de flexibilidade de ligação à rede na infraestrutura planeada, promovendo uma utilização mais eficiente da rede elétrica e maior resiliência do sistema energético”.
O plano é aprovado numa altura em que o país está a desenvolver um projeto estratégico para instalar uma gigafábrica de IA, sendo este um dos projetos que poderá “concretizar os objetivos do Plano Nacional de Centros de Dados, através da captação de financiamento europeu para infraestruturas estratégicas de computação – posicionando Portugal na vanguarda da infraestrutura digital na Europa”.
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