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CEO da PwC exige uso diário de IA e avisa que quem resistir será substituído

Paul Griggs, CEO da multinacional nos EUA, disse em entrevista ao Financial Times que nenhum sócio ou funcionário terá “livre trânsito” para rejeitar o uso de IA em tarefas de trabalho. Esta declaração reflete a pressão interna forte que existe nas Big Four (PwC, Deloitte, EY, KPMG) para não ficarem para trás na corrida da IA, especialmente com a concorrência a acelerar também.
21 Março 2026, 11h59

A gigante PwC exige que todos os trabalhadores usem IA no dia a dia e avisa que os cépticos serão substituídos, mesmo as chefias.

Paul Griggs, CEO da multinacional nos EUA, disse em entrevista ao Financial Times que nenhum sócio ou funcionário terá “livre trânsito” para rejeitar o uso de IA em tarefas de trabalho.

O CEO vai mesmo mais longe. Sócios e trabalhadores de cargos mais altos da empresa que não se adaptem ao uso de inteligência artificial na rotina corporativa deixarão de ter espaço na companhia. O CEO da gigante global de auditoria e consultoria nos EUA, deixou claro que não há espaço na empresa para céticos em relação à IA.

Na entrevista dada na quinta-feira, dia 19 de março de 2026, o CEO da PwC nos Estados Unidos, Paul Griggs diz que qualquer pessoa que acredite ter a “oportunidade de optar por não usar” IA “não ficará aqui por muito tempo” e quem não estiver “paranoid about being AI-first” (paranoico em ser AI-first) será substituído por quem estiver mais alinhado, num claro alerta para os trabalhadores mais séniores.

Esta declaração reflete a pressão interna forte que existe nas Big Four (PwC, Deloitte, EY, KPMG) para não ficarem para trás na corrida da IA, especialmente com a concorrência a acelerar também.

A PwC está a reestruturar serviços para incluir ferramentas automatizadas de IA (algumas até em modelo de subscrição sem intervenção humana direta), o que pressiona toda a hierarquia. A empresa de auditoria e consultoria equaciona desenvolver ferramentas de consultoria e tributação operadas por IA sem a necessidade do acompanhamento de um profissional da empresa para conclusões simples.

A PwC também estaria a repensar o seu modelo de faturação – numa era em que se espera que a IA automatize tarefas – migrando potencialmente das tarifas por hora para o acesso por subscrição a serviços de consultoria e tributação baseados em IA.

Uma das iniciativas que apresenta as mudanças com inteligência artificial aos clientes da PwC é a plataforma PwC One, lançada nesta quinta-feira.

Ironicamente, um estudo da própria PwC revela que mais de metade das empresas não obteve qualquer benefício da IA. Nem mais receitas, nem menos custos. Ao mesmo tempo a Deloitte confirma que apenas uma em cada cinco organizações viu resultados.

Um estudo da PwC, 29.º Global CEO Survey (divulgado em janeiro de 2026, com 4.454 CEOs de 95 países), constata que mais de metade (56 %) das empresas não viu nenhum benefício financeiro mensurável da IA nos últimos 12 meses (nem aumento de receita, nem redução de custos); que apenas 12 % alcançaram o “jackpot”, ou seja receita maior e custos menores ao mesmo tempo; e apenas cerca de 30 % viram alguma receita extra, sendo que 26% viram menos custos, mas muitos também relataram custos a subir (devido a investimentos pesados em ferramentas, infraestruturas e talentos).

O relatório da PwC mostra que a maioria das empresas (incluindo muitas clientes) ainda está em terrenos negativo ou no zero em termos de retorno sobre o investimento (ROI) da IA.

Já à Deloitte revelou que “apenas uma em cada cinco organizações viu resultados” de acordo com relatórios recentes como o State of AI in the Enterprise 2026. O estudo diz que embora o acesso dos trabalhadores à IA tenha subido 50 % em 2025 e haja expectativas altas de escala, apenas cerca de 34 % das organizações estão a usar IA para transformar profundamente o negócio (reimaginar produtos, processos ou modelos). Muitos ficam na superfície (automatização simples), e os ganhos reais de produtividade existem (66 % relatam melhorias), mas os impactos financeiros transformadores são raros para a maioria. Muitos pilotos falham, e o foco está a mudar para governança, redesign de processos e equipas híbridas humano-IA.

A PwC não é a única consultora a adotar uma postura mais ideológica em relação à IA. No mês passado, os funcionários da Accenture receberam um memorando que os instruía a demonstrar a “adoção regular” de serviços de IA – com a utilização monitorizada – caso desejassem ser promovidos.

Estamos no início da era da IA (como a própria PwC diz). A adoção em escala real (agentes autónomos, reengenharia profunda de processos) só começou a ganhar tração em 2025-2026. As empresas que acertam na base (dados limpos, cultura, redesign do trabalho, estratégia top-down) estão a ver retornos reais e a crescer mais rápido. Empregos com competências em IA crescem mais depressa, salários premium, etc.

No futuro quem não integrar IA de forma inteligente (como a PwC está a forçar internamente) perde competitividade. Quem integrar mal, gasta imenso e não colhe. Quem acertar (foco em resultados mensuráveis, não em “IA por IA”) ganha.

A pressão da PwC faz sentido estratégico  porque não querem ser a Kodak da era da IA. Mas a ironia é gigantesca já que os próprios dados deles gritam “a maioria ainda não sabe fazer isto dar dinheiro”. É o futuro? Sim, inevitável. Mas o caminho até lá está cheio de tropeções, desperdício e demissões (incluindo de quem resiste ou de quem não entrega ROI –  Return on Investment ou Retorno sobre Investimento).


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