CEO da X-Plora: “O turismo virtual foi um admirável mundo novo e veio para ficar”

A startup portuguesa que leva a tecnologia aos museus prepara-se para fechar uma ronda de investimento série A, que lhe permitirá apostar na inteligência artificial. “Vamos trabalhar mais o tema do turismo inclusivo”, disse a fundadora e CEO ao Jornal Económico.

Desengane-se quem acha que a reabertura da economia, nomeadamente das atividades culturais, fez com que a tecnologia associada aos museus ou as visitas virtuais deixassem de fazer sentido. Quem é o defende é a fundadora e CEO da startup portuguesa X-Plora, uma aplicação que guia as pessoas nas cidades, monumentos ou galerias de forma interativa e imersiva, através de realidade aumentada e virtual, vídeos 360º ou som binaural.

Mafalda Ricca garante, em entrevista ao Jornal Económico (JE), que o turismo virtual consolidou-se e ainda tem margem de expansão como uma nova ferramenta comercial e de marketing/comunicação para os locais, bem como motor de sustentabilidade para o sector, dado que as visitas deixam de ser tão irracionais para serem mais preparadas.

“Quando o estádio do Barcelona abriu as visitas virtuais definiu horas que as pessoas têm de marcar, opção de guia e fazem-se cobrar por isso. Há um nicho de mercado que inclui a venda de mais conteúdos, cross-selling através de um sistema de gamificação, porque os utilizadores acumularam pontos que vão gastar nas lojas”, exemplifica.

A empresa nasceu de uma spin-off da tecnológica GEMA, em 2019 – ano em Portugal teve um recorde de 27 milhões de turistas – e tem estado a cargo de projetos como a Tour 360º do SL Benfica (ver vídeo abaixo), o Shop in Porto ou o guia digital do CITA – Centro Interpretativo do Tapete de Arraiolos.

“Fundámos a empresa numa numa altura em que o turismo estava no seu apogeu e sucesso máximo, criando um produto essencialmente dirigido para turistas, era esse o target. De repente, passados cinco meses, o nosso mercado tinha desaparecido. Levámos um grande abanão”, recorda Mafalda Ricca ao JE.

“Podia ter sido um enorme drama no plano da nossa empresa e das nossas expectativas, mas curiosamente gerou-nos novas oportunidades de negócio, que estaríamos longe de imaginar antes. Com os museus, centros de visita e cidades – para os quais o nosso produto está desenhado – vazios, precisávamos de encontrar uma solução, reinventar. Descobrimos que, afinal, os nossos guias multimédia, também serviam para as visitas virtuais. Abriu-se um mundo”, conta, visivelmente esperançosa no futuro do sector mais afetado pela crise sanitária.

Para a empreendedora, esta abordagem permite a extensão da audiência, adaptação do produto e procura de formas de ajudar os clientes (entidades públicas e privadas) a recuperar com uma fonte alternativa de receita à bilheteira através do desenvolvimento de conteúdos exclusivos.

“Com o turismo virtual tivemos um admirável mundo novo para explorar, o mundo inteiro de certa forma. Conseguimos chegar a todos aqueles que estão em casa porque têm de estar e àqueles que amanhã também vão estar porque se encontram noutro lado do mundo ou não se conseguem deslocar àquele museu”, diz.

A startup do portefólio da Portugal Ventures tem uma equipa de 16 pessoas e faturou 200 mil euros em 2020, o seu primeiro ano de atividade. “Tivemos uma primeira ronda (seed) de 500 mil euros mas vamos agora passar à série A. Estamos a preparar-nos para esse investimento, que irá permitir-nos desenvolver ferramentas novas no produto para trazer inovação nas visitas, com inteligência artificial, e vamos trabalhar mais o tema do turismo inclusivo”, revela ao CEO.

Já em 2021 e a almejar a retoma do mercado, a X-Plora desenvolveu o case study “Conhecer Almeida” – sobre uma vila no distrito da Guarda, cujo castelo foi destruído em 1810, no início da III invasão francesa- com uma tour auto-guiada através da app, no interior e em redor da vila histórica.

 

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