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Cerca de 90% do valor de mercado da indústria da moda longe de cumprir metas ambientais de 2030

A descarbonização da indústria da moda e do luxo é uma necessidade urgente, segundo um relatório da Bain & Company, que revela que o setor representa 2% das emissões globais, com apenas 11% do mercado a seguir as metas de 2030. Estudo destaca ainda a importância da inteligência artificial para reduzir a sobreprodução e melhorar a eficiência do inventário.
11 Agosto 2025, 17h50

A descarbonização na indústria da moda e do luxo tornou-se uma necessidade urgente, com um novo relatório da Bain & Company a revelar que este setor é responsável por cerca de 2% das emissões globais. Contudo, apenas 11% do valor de mercado está a seguir o caminho certo para atingir as metas de 2030.

O relatório analisa as potencialidades de descarbonização e o retorno sobre o investimento (ROI) através de uma curva de custo marginal de redução (MACC), separando o retalho de moda do setor de luxo.

João Valadares, partner da Bain & Company, destaca a complexidade da jornada de descarbonização, sugerindo que as empresas devem integrar essa abordagem nas suas operações, desde o fornecimento até à gestão de inventário.

Uma área crítica para a descarbonização é o fornecimento. Embora a transição para materiais reciclados seja um passo importante, a verdadeira oportunidade reside em influenciar os fornecedores a adotarem métodos de produção com menores emissões. Para o setor de luxo, a durabilidade e o impacto reduzido por uso são fundamentais, sendo necessário reduzir a sobreprodução e aumentar a revenda.

O relatório sugere que a inteligência artificial (IA) pode ser uma ferramenta valiosa para lidar com a sobreprodução e melhorar a eficiência do inventário. Cerca de 60% das marcas de roupa já utilizam ou estão a testar previsões de vendas baseadas em IA, o que permite uma melhor compreensão da procura dos consumidores.

Além disso, metade das marcas está a usar IA para alocar o stock de forma mais precisa, e novas abordagens sob encomenda estão a ser testadas para reduzir o desperdício.

O mercado de artigos em segunda mão é identificado como uma alavanca de descarbonização, mas atualmente apresenta um ROI negativo para muitas marcas. Para reverter esta situação, as empresas devem transformar este mercado num canal rentável e próprio, que não só aumente o valor da vida útil do cliente, mas também contribua para a redução das emissões, destaca o relatório.


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