CGD em fase avançada para vender 1.000 milhões de malparado

Na corrida estão a Bain Capital está entre os candidatos à compra do malparado da CGD. A venda de duas carteiras de malparado já tinha sido anunciada pelo CFO da CGD, José de Brito, aos analistas.

Cristina Bernardo

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) está em fase avançada no processo de venda de dois portefólios de crédito malparado que somam cerca de 1.000 milhões de euros, soube o Jornal Económico. Na corrida estão a Bain Capital, e mais três fundos, revelou a mesma fonte.

Esta operação faz parte de um programa de redução de operações não rentabilizadas (non performing exposure, NPE) que a CGD tem vindo a levar a cabo.

Contactada fonte oficial não quis fazer comentários.

A venda de duas carteiras de malparado já tinha sido anunciada pelo CFO da CGD aos analistas.

“Estamos a vender dois portefólios de crédito malparado”, anunciou José Brito, administrador financeiro da CGD, na conference call com analistas após a divulgação dos resultados trimestrais, segundo noticou, na altura, o jornal Eco.

Apesar de não avançar um valor para estas alienações, a CGD deixa uma garantia: as vendas “vão, sem dúvida, ter impacto nos próximos trimestres”.

No fim do ano passado foi noticiado que a CGD escolheu a KPMG para a assessorar na venda de 1.800 milhões em crédito hipotecário, empresarial e imobiliário, numa operação prevista para ocorrer entre o ano passado e o final de 2018.

Em julho de 2017 a Caixa anunciou que vendeu 476 milhões de euros em crédito malparado ao fundo de private equity Bain Capital Credit. Mas, segundo revelou na altura em conferência de imprensa Paulo Macedo, tratou-se de créditos pequenos que estavam em litígio. “Não há nesta venda nenhum dos créditos às empresas que provocaram elevadas imparidades”, assegurou o CEO da CGD.

Nesta operação estão em causa, sobretudo, “empréstimos imobiliários bilaterais garantidos contraídos por pequenas e médias empresas e algumas grandes empresas”, disse ainda na altura Paulo Macedo.

(Correção as 12h19 com a retirada das referências à Orion Capital e o Bank of América)

Relacionadas

Acordo com Luís Filipe Vieira tira 24,5 milhões de euros à Caixa Geral de Depósitos

Banco público ficou com 50% do Fundo Imobiliário Fechado Real Estate, que era a percentagem de capital detida pelo presidente do Benfica, devido a uma dívida de 31 milhões de euros, num negócio realizado em 2012.

FMI diz que passos para reduzir malparado são “insuficientes”

FMI aplaude progressos da plataforma do malparado, mas considera os passos dados para reduzir o crédito de má qualidade como “insuficientes”.

CGD: Blockchain é a solução para alguns problemas da banca

“Há que criar momento e as circunstâncias para que [a tecnologia] cresça e se torne ‘mainstream'”, defendeu o diretor de Sistemas de Informação / Tecnologias da Informação da Caixa Geral de Depósitos, após elencar as potencialidades da blockchain para o sistema financeiro.

Governo aprovou condições da venda dos bancos da CGD em Espanha e África do Sul

O Governo aprovou hoje os cadernos de encargos com as condições para a venda dos bancos da Caixa Geral de Depósitos na África do Sul e em Espanha, segundo comunicado de Conselho de Ministros.
Recomendadas

Garantias do Estado às moratórias serão “um bom instrumento”, defende Paulo Macedo

Para Paulo Macedo, o “importante não é uma extensão das moratórias” e sim capitalizar as empresas. Por sua vez, o vice-presidente do BEI, Ricardo Mourinho Félix, realçou que as moratórias “foram um contributo fundamental que permitiu a muitas empresas, nesse período, não tendo receitas, continuar a manter as suas portas abertas e não entrar em situações de incumprimento”.

CaixaBank baixa proposta de despedimentos em 450 trabalhadores

O banco catalão atravessará um processo de reestruturação, na sequência da fusão com o Bankia, no qual havia proposto inicialmente despedir 8.291 trabalhadores. A negociação com os sindicatos reduziu o número.

João Costa Pinto alerta para elevado peso da dívida pública no balanço do Crédito Agrícola

“A Caixa Central em 2020 tinha um balanço de 13 mil milhões de euros. Utilizou um mecanismo que começou a ser usado comigo, que foi o recurso ao BCE para obter algum financiamento que lhe permitia comprar dívida pública, para, por essa via, obter alguns ganhos de operações financeiras. O que me surpreendeu foi a dimensão e a passividade dos reguladores”, disse o João Costa Pinto num seminário sobre banca mutualista e cooperativa.
Comentários