CGD faz a primeira operação documentária de ‘trade finance’ em Portugal 100% digital

Com a interrupção do transporte marítimo, do contato social e das viagens, as instituições financeiras têm vindo a adotar medidas para permitir as transações e a continuidade do comércio. A CGD é a primeira instituição financeira a recorrer a meios digitais para continuar a apoiar a exportação.

REUTERS/Jose Manuel Ribeiro

Aí está o primeiro banco a realizar uma operação bancária de trade finance com recurso aos meios digitais, contornando o obstáculo que esta área tem sofrido com o confinamento social.

A Caixa Geral de Depósitos realizou, no início de maio, em plena pandemia Covid-19, a primeira operação documentária de trade finance em Portugal com recurso a uma plataforma web based 100% digital, de apresentação eletrónica de documentos, no âmbito de uma importação de matérias-primas para a indústria de plásticos portuguesa, realizada por um seu cliente PME.

O banco explica que esta operação de comércio externo foi suportada por uma carta de crédito de importação emitida pela CGD. “Em condições normais, o fluxo documental (em papel) associado a uma operação deste tipo pode durar até 20 dias, mas através do recurso à plataforma tecnológica da Bolero, a apresentação eletrónica e validação dos documentos (em suporte 100% digital), durou apenas algumas horas, com evidentes ganhos de tempo e eficiência de custos entre todas as partes envolvidas”, refere o banco.

A utilização desta tecnologia permitiu a realização da importação oriunda da Índia (país com restrições impostas pelo Covid-19 à circulação de documentos), com a apresentação eletrónica realizada de forma célere, segura e sem extravios.

A Caixa diz em comunicado que “apoia as empresas exportadoras e importadoras num contínuo processo de inovação e apresentação de soluções tecnológicas digitais permitindo a atividade das empresas à distância com ganhos em eficiência e numa filosofia 100% paperless”.

Esta parceria da CGD com a Bolero – empresa líder na digitização de operações de comércio internacional – permite que todas as partes envolvidas (Bancos, Transportadores, Importador e Exportador) estejam conectados no ecossistema digital associado à plataforma, anuncia a instituição liderada por Paulo Macedo.

Um dos desafios da banca perante a pandemia Covid-19 (ver suplemento que será publicado na edição do Jornal Económico de amanhã) prende-se com a área do ‘trade finance’. Como manter o fluxo de comércio quando as transações baseadas em papel são difíceis ou impossíveis devido à redução das interações físicas? Como acelerar a passagem do analógico para o digital nas exportações?

Com a interrupção do transporte marítimo, do contato social e das viagens, as instituições financeiras têm vindo a adotar medidas para permitir as transações e a continuidade do comércio. A CGD é a primeira instituição financeira, mas não será a única.

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