CGD vende 300 milhões de euros em imóveis no semestre

A Caixa Geral de Depósitos alienou no primeiro semestre mais de 300 milhões de euros em imóveis, dos quais 110 milhões de euros já estão escriturados (com escrituras feitas). Este valor inclui 113 milhões de euros de uma carteira de NPL (malparado) com mais de cinco anos.

Cristina Bernardo

A Caixa Geral de Depósitos alienou no primeiro semestre mais de 300 milhões de euros em imóveis, dos quais 110 milhões de euros já estão escriturados (com escrituras feitas).

Este valor inclui 113 milhões de euros de uma carteira de NPL  (malparado) com mais de cinco anos.

No primeiro semestre foram vendidos 1.138 imóveis.

A Caixa revelou que no primeiro semestre registou 113,0 milhões de euros de imparidades de crédito líquidas e um custo de risco de crédito que se situou em 0,38%, “atestando a qualidade de ativos da CGD bem como o seu nível de cobertura”.

“Estão a sair mais imóveis do que entram”, disse o CEO do banco que reforçou ser uma tendência benéfica para a CGD.

O custo de risco de crédito (imparidades a dividir pela carteira de crédito) é de 0,38% e por isso Piorou em relação a junho de 2017, porque, explicou José Brito, administrador financeiro, decidiram reforçar os níveis de cobertura por imparidades para facilitar a venda de portfólios de crédito (carteiras).

Noutro grupo de imóveis que não tem a ver com este portfólio de imóveis recebidos por incumprimento de crédito, Paulo Macedo disse que o imóvel da Caixa na Rua do Ouro ia agora começar a ser comercializado.

Já no que se refere ao caso da Comporta onde a CGD é credora em cerca de 120 milhões, Paulo Macedo disse que “vê com satisfação o adiamento”, pela segunda vez, da assembleia-geral do fundo imobiliário da Herdade da Comporta, no sentido de poder haver mais certezas sobre as ofertas existentes.

“O que diria é que saudamos as decisões da assembleia porque percebemos, segundo foi descrito, que seria aberta uma ‘due dilligence’ aos diferentes consórcios e [para receber] proposta com capacidade financeira para que quando forem feitas propostas para quem, de facto, tenha capacidade para desenvolver um projecto tão importante”, disse.

Esta sexta-feira, realizou-se uma assembleia dos participantes do fundo (Rioforte, Novo Banco e membros da família Espírito Santo ou antigos amigos da família) que gere a propriedade (a Gesfimo) para votar as ofertas, mas houve um adiamento para 28 de setembro, altura em que haverá uma assembleia para analisar as propostas que aparecerem até 8 dias antes.

Na assembleia do fundo realizada esta manhã no hotel Sana, em Lisboa, a Rio Forte (ex-Grupo Espírito Santo), dona de 59% do fundo, e o Novo Banco, que controla outros 15%, concertaram posições para não decidir já a quem vender. O objetivo é dar aos três concorrentes um novo prazo até 20 de setembro para a reformulação das suas ofertas que terão de ser todas vinculativas e cobertas por cartas de conforto dos bancos.

Na corrida à Comporta está um consórcio que junta os empresários britânicos Mark Holyoake e Anton Bilton e o grupo português Portugália, uma parceria entre Paula Amorim e o milionário francês Claude Berda e ainda um agrupamento liderado pelo empresário francês Louis-Albert de Broglie.
As ofertas ao fundo da Comporta oscilam entre os 20 e os 36,5 milhões de euros, a que acrescem outros elementos nas ofertas e a assunção da dívida à Caixa Geral de Depósitos, que ronda os 120 milhões de euros.

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