Chineses desistem de comprar o BNI Europa

O contexto de incerteza na economia global causada pela pandemia da Covid-19 levou o Grupo chinês KWG a desistir de comprar 80,1% da participação do BNI Europa. Negócio estava alinhavado desde dezembro de 2017.

O grupo chinês KWG desistiu de comprar 80,1% da participação do BNI Europa invocando a incerteza criada no sistema financeira devido à pandemia do novo coronavírus, referiu o banco liderado por Pedro Pinto Coelho, em comunicado enviado esta quarta-feira.

“O Banco BNI Europa informa que, apesar de terem sido cumpridas todas as condições para a concretização da operação de alienação de uma participação de 80,1% do respectivo capital social, o prospectivo adquirente comunicou ao vendedor a sua intenção de não honrar o contrato de aquisição de participação qualificada celebrado em dezembro de 2017, invocando circunstâncias relacionadas com o atual contexto de incerteza que afeta a economia internacional e, em particular, o sistema financeiro”, refere o banco português.

O BNI e o seu acionista único, o angolano Banco BNI, vão agora “proceder à revisão do Plano de Negócios do Banco, adequando-o às noas circunstâncias e ao atual de momento da economia mundial”, adianta a instituição financeira liderada por Pedro Pinto Coelho.

“O Banco BNI Europa pretende continuar a afirmar-se como uma referência na nova geração “Fintech” na banca europeia através da introdução de inovação e do preenchimento de segmentos e oferta direcionadas a clientes com necessidades que não estão a ser atendidos pelos demais operadores financeiros do mercado”, lê-se no comunicado.

No final de 2019, o Banco Central Europeu (BCE) deu luz-verde à venda do BNI Europa ao grupo chinês KWG, depois de ambas as partes terem chegado acordado, num contrato-promessa, sobre a operação, em dezembro de 2017.

Como tinham passado dois anos desde que foram acordadas as condições de compra, o BNI e o KWG estiveram, desde o final de 2019, a renegociar as condições contratuais.

“A concretização da transação foi aprovada pelo Banco Central Europeu no final de 2019, assim se concretizando a verificação de uma importante condição de natureza regulatória”, confirmou o BNI Europa em janeiro deste ano, ao JE.

O BNI Europa referiu ainda ao JE que o contrato de compra e venda aguardava a verificação de “todas as condições contratualmente acordadas em 2017 entre o comprador [KWG] e o vendedor [BNI Angola]”.  As partes estavam ainda “a diligenciar no sentido de dar cumprimento às condições remanescentes com o propósito de proceder à concretização da operação no curto prazo”, adiantava em janeiro o BNI Europa. O negócio deveria ter ficado ficar fechado no primeiro trimestre de 2020, segundo revelou na altura o banco liderado por Pedro Pinto Coelho.

O Banco BNI Europa é um banco de direito português, detido em 99,9% pelo Banco BNI, instituição financeira sediada em Angola.

“Tal como foi oportunamente divulgado, o Banco BNI celebrou em dezembro de 2017 um contrato de compra e venda de uma participação maioritária no capital social do Banco BNI Europa. Como habitual neste tipo de transações, a concretização da operação prevista no referido contrato está sujeita a verificação de um conjunto de condições, algumas de natureza regulatória e outras de natureza puramente contratual, acordadas entre as partes”, explicou o banco quando anunciou a intenção de venda.

O angolano BNI queria vender a maioria da sua participação no português BNI até junho de 2019.

Ler mais
Relacionadas

BNI Europa diz que venda aos chineses está dependente de “condições contratuais”

A demora na venda tem a ver com algumas condições que estão a ser negociadas, explicou o banco liderado por Pedro Pinto Coelho.

PremiumVenda do BNI Europa aguarda fecho das contas de 2019

Negócio deverá ficar fechado no primeiro trimestre de 2020. O banco apesenta contas anuais em março.

PremiumBCE aprova venda do BNI aos chineses da KWG

Pedro Pinto Coelho diz que “quando a transação estiver concluída será dado conhecimento”.
Recomendadas

Revolut ultrapassa um milhão de clientes na Península Ibérica. Em Portugal há meio milhão

Em Portugal são já mais de 500 mil os clientes, enquanto em Espanha o valor já ultrapassou os 600 mil utilizadores.

APB anuncia Sertã e Loures como vencedoras da Final Nacional do European Money Quiz 2020

A APB associa-se a esta iniciativa pelo terceiro ano consecutivo. Participaram na edição de 2020 cerca de 2 mil alunos do ensino básico, oriundos de 48 escolas de todo o país, incluindo ilhas.

PremiumFundo de Resolução responde a pedido do Bloco de Esquerda na próxima semana

O partido pediu o contrato de venda do Novo Banco, a resposta deverá ser enviada na próxima semana. Há seis contratos na venda.
Comentários