Christine Lagarde encabeça ‘dança de cadeiras’ do BCE

Em ano de renovação, Christine Lagarde não é a única cara nova do Banco Central Europeu. Conheça os nomes que vão acompanhar a antiga diretora do FMI nas novas funções em Frankfurt.

Com o fim do mandato de oito anos de Mario Draghi, em novembro, enquanto presidente do Banco Central Europeu (BCE), vai operar-se uma dança de cadeira dentro da instituição europeia responsável por definir a política monetária da União Europeia.

Depois de um impasse, o Parlamento Europeu escolheu Christine Lagarde, a líder do Fundo Monetário Internacional, para substituir Mario Draghi, para um mandato de oito anos não renovável. A francesa já disse que se sentia honrada, mas dentro do Conselho dos Governadores do BCE, tem apenas um voto, num total de 21 que se repartem entre os vinte e cinco membros deste Conselho.

Além de Christine Lagarde, o BCE terá mais nove mudanças, das quais sete já se produziram, faltando produzirem-se duas. O governador do banco central austríaco, Ewald Nowotly, termina mandato, assim como o francês Benoît Coeuré, membro do comité executivo BCE (e que era apontado como um potencial sucessor de Mario Draghi), que acaba funções em agosto.

Em 2018, o ex-governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, até então vice de Mario Draghi, foi substituído pelo espanhol Luís de Guindos, que se mantém no cargo.

O comité executivo do BCE é composto pelo presidente, o vice-presidente, e mais quatro membros, designados para um mandato de oito anos que não pode ser renovado. O comité executivo é centro da decisão do BCE, dando instruções aos bancos centrais dos Estados-membros que integram a zona euro – entre os quais, claro, o Banco de Portugal, liderado por Carlos Costa – em função das decisões tomadas pelo Conselho de Governadores do BCE, quando reúne, sobre o rumo da política monetária europeia.

Outras das funções do comité executivo do BCE consistem em preparar as reuniões do Conselho de Governadores, assim como gerir o próprio banco central, com o auxílio do alemão Michael Diemer, o chief services officer do BCE.

Atualmente, os seis membros do comité executivo são Mario Draghi (que será substituído por Christine Lagarde), Luis de Guindos (espanhol), Benôit Coeuré (francês, que termina o mandato em agosto, faltando encontrar um substituto)), Yves Mersch (luxemburguês), Sabine Lautenschlagen (alemã) e Philip Lane (irlandês).

Estes seis membros do comité executivo do BCE integram a ‘primeira categoria’ do Conselho dos Governadores do BCE, na medida em que cada tem direito a um voto no Conselho de Governadores do BCE.

Depois há uma segunda vaga de membros dentro do Conselho dos Governadores, composto por cinco membros que, em conjunto, têm direito a quatro votos.  São eles, o alemão Jens Weidmannalemão, presidente do Bundesbank, o banco central alemão. Seguem-se os governadores do banco central espanhol, Pablo Hernandéz de Cos, francês François Vileroy de Galhau, italiano, Ignazio Visco, e holandês, Klaas Knot.

Há ainda um grupo de 14 membros do Conselho de Governadores, que tem direito a 11 votos, que é compostos pelos outros governadores dos bancos centrais dos Estados-membros. Entre as caras novas, incluem-se os governadores do banco central belga, Pierre Wunsch, da Estónia, Madis Muller, da irlanda, Sharon Donnery, cipriota, Constantinos Herodotou, eslovéno, Bostjan Vasle, e eslovaco, Peter Kazimir.

 

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Para Pedro Lino, economista e administrador da Dif Broker e da Optimize, “o testemunho que é passado a Christine Lagarde [na liderança do BCE] é diferente porque é uma bolha ainda maior”, sendo “uma herança muito perigosa que terá de ser gerida de maneira muito cautelosa”.
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