Christine Lagarde: “Se executarmos bem o Next Generation EU, pode ser um ‘game changer'”

“Se o fizermos bem, o Next Generation EU poderá ser o ‘game changer’ de que a Europa necessita — em termos de modernização, resiliência e prosperidade”, vincou a presidente do Banco Central Europeu esta segunda-feira, num discurso no Parlamento Europeu.

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, deposita fortes esperanças na capacidade de o programa “Next Generation EU”, ou Plano de Recuperação e Resiliência, para assegurar os objetivos comuns da União Europeia (UE) e impulsionar o crescimento de longo-prazo.

Mas alerta: é necessário que as instituições europeias e os governos nacionais o executem bem.

Christine Lagarde discursou esta segunda-feira, através de meios telemáticos, na Comissão dos Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu e referiu que “agora será importante assegurar que os fundos do Next Generation EU sejam utilizados não apenas atempadamente, mas também de uma forma que potencie o crescimento de longo-prazo e que apoie os objetivos comuns da UE”.

“Se o fizermos bem, o Next Generation EU poderá ser o ‘game changer’ de que a Europa necessita — em termos de modernização, resiliência e prosperidade”, vincou a presidente do BCE.

Christine Lagarde sempre defendeu o Plano de Recuperação e Resiliência. Em julho, antes da cimeira do Conselho Europeu que culminou com o montante e a distribuição de verbas do plano — 390 mil milhões de euros em subvenções e 360 mil milhões em empréstimos —, a presidente do BCE enalteceu a importância da aprovação do plano pelos líderes governamentais europeus.

Na semana passada, segundo o “Financial Times”, que citou uma análise do BCE ao Plano de Recuperação e Resiliência, Franfurt defendeu que este instrumento se tornasse numa ferramenta permanente.

A análise do BCE concluiu que o Plano de Recuperação e Resiliência vai assegurar um benefício macroeconómico mais forte para os países vulneráveis, que vão ter um ganho líquido mais avultado, excluindo as contribuições que terão de fazer. Portugal está entre os mais beneficiados, com um ganho líquido de 5,4% do PIB pré-Covid.

O BCE sugeriu que o Plano passe a ser integrado no leque de opções dos decisores políticos quando as regras orçamentais da UE voltarem a ser implementadas.

O primeiro-ministro, António Costa, recebe esta noite, em São Bento, a presidente da Comissão Europeia, para apresentar o plano delineado pelo Executivo para canalizar as verbas europeias para impulsionar a economia nacional.

Plano de Recuperação: Como prevê o Governo distribuir as subvenções

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