Cidadania 2.0 nos centros históricos

As boas práticas abrem portas a um novo paradigma de construção colaborativa dos processos de inovação e sustentabilidade nas cidades. Envolver a comunidade local deve ser o centro da transformação urbana e o futuro da humanidade.

A Humanidade é inconcebível sem as suas cidades, vistas como sistemas, são decisivas para um mundo mais inclusivo e sustentável. As palavras de João Seixas, servem de mote ao potencial de desenvolvimento de soluções urbanas inovadoras e sustentáveis, capazes de responder aos inúmeros desafios e oportunidades, associados aos mecanismos de transição justa.

Assegurar condições de suporte à inovação passa por garantir que as reais necessidades dos cidadãos são satisfeitas. Só o efetivo envolvimento do cidadão no processo de inovação poderá proporcionar a robustez social e a inclusividade dos resultados. O manifesto “The Dublin Innovation Declaration”, no qual a Comissão Europeia promove o conceito de Open Innovation 2.0, é claro, inovar significa incluir os cidadãos ao mesmo nível dos governos locais, da academia e da indústria.

Com este compromisso, emergem nos bairros das cidades, laboratórios de intervenção como os Laboratórios Vivos (do inglês Living Labs) e os Laboratórios inovação cidadã. O principal objetivo tem sido implementar processos cidadania 2.0. Metodologias participativas com tecnologias digitais, para o desenvolvimento da democracia a nível local e promoção de uma cidadania ativa baseada na consciencialização, informação e divulgação. A inovação na transformação das relações sociais dá origem a movimentos coletivos e práticas alternativas assentes na proximidade, permanência, identidade e compromisso.

Em Portugal, nos últimos anos, observa-se, nos bairros históricos, cada vez mais a implementação destas práticas experimentais abertas para diferentes tipos de contribuição.

O projeto europeu SUSHI – Bairros Sustentáveis, tem o bairro de Alfama, em Lisboa, como ponto de partida para uma visão “Sustentável e Saudável para Todos”. O Laboratório urbano vivo, representa o meio para testar soluções inovadores capazes de promover mudanças sociais rumo a um plano de ação transformador do bairro, que se quer sustentável, resistente às alterações climáticas e mais inclusivo. Numa lógica de cocriação, o projeto “colocou o desenvolvimento sustentável no centro da transformação dos bairros históricos, adotando abordagens integradas e não apenas responder a desafios isolados de forma fragmentada”, explica João Pedro Gouveia.

Por sua vez, o Labic – laboratório de inovação comunitária, financiado pelo Programa Bairros Saudáveis – chega ao Barreiro Velho com a premissa de melhoria das condições de saúde, bem estar e qualidade da vida em comum no bairro. O laboratório é o facilitador de iniciativas comunitárias, onde cidadãos, poder público, academia, grupos formais e informais trabalham ativamente e colaborativamente. Numa perspetiva inclusiva, o objetivo é “capacitar a população ao nível técnico, pessoal e coletivo para que esta possa trabalhar ativamente e colaborativamente com a rede de parceiros na criação de soluções que contribuam para a coesão social”.

As boas práticas abrem portas a um novo paradigma de construção colaborativa dos processos de inovação e sustentabilidade nas cidades. Demonstram como a inovação e a participação direta da cidadania, e de grupos antes excluídos, aumentam a aceitação dos projetos transformadores.

Em suma, uma lição para reflexão global: envolver a comunidade local deve ser o centro da transformação urbana e o futuro da humanidade.

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