Cientistas britânicos preocupados se vacina contra a Covid-19 é à prova de estirpe sul-africana

Simon Clarke diz à Reuters que a variante do vírus encontrada na África do Sul “tem um número adicional de mutações, que são preocupantes”. “A acumulação de mais mutações ‘spike’ na variante sul-africana é mais preocupante e pode levar a alguma fuga da proteção imunológica”, completou o virologista Lawrence Young.

Reino Unido | Getty Images

Há cientistas britânicos que estão preocupados sobre se as vacinas contra a Covid-19 que estão a ser administradas no Reino Unido poderão ou não ser capazes de combater a nova variante do vírus que surgiu na África do Sul e que se tem espalhado internacionalmente.

Em Portugal foram identificados mais de uma dezena de casos da variante detetada no Reino Unido, segundo a autoridade de saúde nacional.

Simon Clarke, professor de microbiologia celular na Universidade de Reading, disse à Reuters que, embora ambas as variantes tenham algumas características novas em comum, a encontrada na África do Sul “tem um número adicional de mutações, que são preocupantes”.

O académico refere que essas mutações envolvem alterações mais extensas num tópico-chave do vírus, conhecido como proteína “spike”, utilizada pelo SARS-CoV-2 para infetar as células humanas, que “pode tornar o vírus menos suscetível à resposta imunológica desencadeada pelas vacinas”.

Já o professor de oncologia molecular e virologista Lawrence Young, da Universidade de Warwick, também destacou que essa variante sul-africana tem “múltiplas mutações ‘spike’”. “ A acumulação de mais mutações ‘spike’ na variante sul-africana é mais preocupante e pode levar a alguma fuga da proteção imunológica”, argumentou o especialista em declarações à agência noticiosa.

Ontem, também o secretário de Saúde britânico, Matt Hancock, disse que agora está muito preocupado com esta estirpe.

Confinamento na África do Sul tira 0,5 pontos ao PIB

A consultora Capital Economics considera que as medidas de confinamento na África do Sul vão tirar 0,5 pontos percentuais ao Produto Interno Bruto (PIB), podendo atirar a economia mais industrializada da África subsaariana para uma recessão no primeiro trimestre.

“O impacto económico das restrições decretadas a 28 de dezembro vão, claramente, depender do tempo de aplicação e do grau de confinamento, mas assumindo que vão manter-se até meio de janeiro, estimamos um impacto de 0,5 pontos percentuais no PIB, que se juntam à forte queda da atividade económica do retalho, transportes públicos e privados e dos postos de trabalho no final de 2020”, dizem os analistas.

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